28/10/2012

Cristianismo primitivo = Catolicismo?


INTRODUÇÃO

É comum ouvirmos " protestantes" dizerem: "Eu sou cristão"; ou também: "Agora sou cristão". A verdade é que a maioria dessas novas igrejas não têm mais que 50, 100 ou 200 anos de fundação. O verdadeiro e pleno Cristianismo possui mais de 2.000 anos e encontra-se precisamente na Igreja Católica, fundada por Cristo. Estudemos a Palavra de Deus para conhecer as raízes do Catolicismo no Cristianismo primitivo.

RAÍZES BÍBLICAS DO CRISTIANISMO

1. Herdeiros do Povo de Deus


Denomina-se "Cristianismo" à religião em conjunto que foi fundada por Cristo Jesus, "pedra angular de toda a sua doutrina" (1Coríntios 3,10-11; 1Pedro 2,4.6-8). Esta religião herdou do povo judeu a fé em um único e verdadeiro Deus (Êxodo 20,2-3), que teve sua origem na "santa aliança" celebrada entre Javé e o patriarca Abraão (Gênesis 12,1-2), convertendo o povo de Israel em uma "nação santa e reino de sacerdotes" (Êxodo 19,5-6).

2. Da Antiga à Nova Aliança

No entanto, "quando se cumpriu o tempo, Deus enviou o seu Filho, que nasceu de uma mulher, submetido à lei de Moisés" (Gálatas 4,4). Ele é o "grande sumo sacerdote" (Hebreus 4,14), que estabeleceu um "novo pacto" (Hebreus 8,6) por sua morte salvadora na cruz (Efésios 2,16; Colossenses 1,20), dando origem ao "verdadeiro Povo de Deus" (Gálatas 6,16). Conseqüentemente, "já não importa ser judeu ou grego, escravo ou livre, homem ou mulher, porque, unidos a Cristo Jesus, todos vocês são um só. E se são de Cristo, são descendentes de Abraão e herdeiros da promessa que Deus lhes fez" (Gálatas 3,28-29).

3. O Cristianismo durante os Primeiros Anos

A Igreja de Cristo foi vista, pelo menos durante os seus primeiros dez anos, como uma "nova seita" saída do Judaísmo (Atos 28,22); porém, na realidade, era um "novo caminho" (Atos 24,14), já que estava centrada em Jesus Cristo, que é "o caminho, a verdade e a vida" (João 14,6). E os homens e mulheres que se atreviam a seguí-Lo eram perseguidos, condenados à morte, capturados e encarcerados (Atos 22,4). Não obstante, eles estavam unidos em um mesmo amor (Colossenses 3,14), uma vida segundo os ensinamentos do "sermão da montanha", para alcançar o "reino dos céus" (Mateus 5,3-12).

No tocante ao termo "cristão" com que são identificados os discípulos de Cristo, começou a ser empregado na província romana de Antioquia - atual Antakya, na Turquia (Atos 11,26). Este nome foi aceito por todos aqueles que suportavam os sofrimentos de sua fé (1Pedro 4,16), convertendo-se assim em autênticos soldados de Cristo (2Timóteo 2,3).

4. Meu nome é "Cristão"; meu apelido é "Católico"

O Cristianismo esteve conformado em sua alvorada histórica pelo Catolicismo, que possui Jesus como Cabeça (Colossenses 1,18; Efésios 5,23), ao fundar sua congregação sobre o apóstolo Pedro, a pedra (João 1,42; Mateus 16,16-18; Lucas 22,32; João 21,15-17). A palavra grega "Igreja" significa assembléia de fiéis (1Coríntios 1,2), "católica" significa universal (Apocalipse 7,9) e foi usada pela primeira vez por Santo Inácio de Antioquia, no início do século II de nossa Era. Ela é "a família de Deus, que é a Igreja do Deus vivo, a qual é coluna e fundamento da verdade" (1Timóteo 3,15).

5. Da Igreja de Cristo às "igrejas" e seitas

Quantas vezes nos temos perguntado, diante da grande avalanche de igrejas cristãs: "Qual delas é a verdadeira?" A esse respeito, ensinava São Cipriano no século II que "ninguém pode ter a Deus por Pai se não tiver a Igreja Católica por Mãe". E o cardeal John Henry Newman [ex-protestante] acrescentava que "para conhecer a história do Cristianismo, é necessário deixar de ser protestante". Por essa razão, nós católicos afirmamos que a nossa religião não foi fundada por nenhum homem, como ocorreu com todas as demais denominações cristãs, que muitas vezes, como "lobos devoradores", querem destruir a Igreja (Atos 20,29-30). Ao contrário, [a Igreja Católica] tem suas origens em Jesus Cristo, que é a "rocha firme" (Mateus 7,24-25) e, portanto, ninguém pode construir sobre outro fundamento (1Coríntios 3,9-11). A existência da Igreja Católica e seu impacto têm sido muito profundos: nos referimos a uma instituição que sobrevive há mais tempo que qualquer império na História da civilização. Ela já dura três vezes mais que o Império Romano e duas vezes mais que a dinastia na China.

6. Uma Igreja Visível

A Igreja Católica é vista teologicamente como o "corpo místico" de Cristo (Efésios 1,23), sem "mancha nem pecado" (Efésios 5,27), como "a esposa do Cordeiro" (Apocalipse 21,9; 22,17), a quem o Senhor não deixa de cuidar (Efésios 5,29). A Sua intenção era que existisse "um só rebanho e um só Pastor" (João 10,16), sendo Ele "o grande pastor das ovelhas" (Hebreus 13,20), chamado "o Bom Pastor" (João 10,11), que vela permanentemente por elas (1Pedro 2,25). Para cumprir esta santa tarefa, o Filho de Deus elegeu doze Apóstolos (=enviados) (Mateus 10,2-4; João 20,21), dando-lhes plena autoridade para governar a sua Igreja, encabeçada pelo apóstolo Pedro (Mateus 16,19; 18,18; 19,28; Efésios 2,20), com cinco grandes missões: [1] pregar o Evangelho (Mateus 28,20) e orar; [2] batizar (Mateus 28,19; Marcos 16,15-16); [3] celebrar a Eucaristia (Lucas 22,19); [4] perdoar os pecados (João 20,23; Lucas 24,47); [5] e realizar sinais milagrosos em seu nome (Mateus 10,1; Marcos 16,17-18), como Pedro curou com a sua sombra (Atos 5,15) e Paulo com sua roupa (Atos 19,11-12). Do mesmo modo, o Santo de Deus, antes de regressar ao céu, prometeu enviar aos seus amigos a ajuda do Espírito Santo, para que lhes recordasse tudo o que Ele havia lhes dito (João 14,26; 16,13), tornando-se visivelmente presente na festa de Pentecostes (Atos 2,1-4.33) e muitas outras vezes com a colaboração dos anjos do céu (Atos 5,17-20; 8,26; 10,3-8.22; 12,7-11; 27,23-24).

7. Uma Igreja com Hierarquia

Os Apóstolos, conforme iam expandindo a "Boa Nova" nos templos e nas casas (Atos 5,42), nomearam, por sua vez, bispos (pastores), presbíteros (anciãos) e diáconos (servidores), por intermédio da oração, do jejum e da imposição das mãos (Atos 13,3; 14,23; 1Timóteo 4,14; 2Timóteo 1,6), rito sagrado esse que foi mantido até os nossos dias pela hierarquia eclesiástica católica. Prova disso foi a escolha de Matias pelos onze Apóstolos, para que viesse a ocupar o lugar de Judas (Atos 1,15-26); e também as nomeações de novos bispos promovidas por Paulo (como Tito em Creta e Timóteo em Éfeso), e Barnabé na Ásia Menor, para que cuidassem da "Igreja" ou do "Rebanho" de Deus (Atos 20,28; Hebreus 13,7.17) e se dedicassem a "pregar e ensinar" (1Timóteo 5,17). A esses novos bispos foi transmitido o legado de ordenar presbíteros (Tito 1,5), que davam a conhecer a sã doutrina (1Coríntios 4,1; 2Timóteo 2,2; Tito 1,9) e curavam os doentes por meio da oração e da imposição do óleo (Tiago 5,14; Marcos 6,13). Também por solicitude dos Apóstolos, a comunidade de Jerusalém nomeou sete diáconos que se encarregaram do cuidado material dos fiéis (Atos 6,2-6). Um deles, Estêvão, foi o primeiro mártir (=testemunha) do Cristianismo (Atos 7,59-60). Entre os Apóstolos, profetas, pastores e mestres haviam diferentes dons e qualidades (Atos 13,1; Romanos 12,6-8; 1Coríntios 12,27-31; Efésios 4,11).

Tamanho foi o êxito, que em pouco tempo "as igrejas se afirmavam na fé e o número de crentes aumentava a cada dia" (Atos 16,5; 9,31), possuindo como dirigentes, em cada lugar, os Apóstolos, bispos e diáconos (Atos 15,4; Filipenses 1,1); todos eles com os fiéis em geral conformavam as "igrejas de Deus" (2Tessalonicenses 1,4), chamadas também de "igrejas de Cristo" (Romanos 16,16), "povo santo" (Atos 9,13) ou "povo de Deus" (Apocalipse 5,8; 8,3; 19,8), "casa de Deus" (Hebreus 3,6) ou "família de Deus" (Efésios 2,19). Do mesmo modo, os príncipes dos Apóstolos, Pedro e Paulo, com suas cartas pastorais manifestavam como deveria ser a vida exemplar e reta dos bispos (1Pedro 5,1-4; 1Timóteo 3,1-7; 4,17), presbíteros (Tito 1,6-9), diáconos (1Timóteo 3,8-13) e de todos os fiéis cristãos (Romanos 12,9-21; 13,1-14; 14,1-23; 15,1-6). Particularmente é conhecida uma carta de Santo Inácio de Antioquia, redigida nos primeiros anos do século II, em que diz que cada comunidade de crentes contava com um único bispo, assistido pelos presbíteros e diáconos. Conservam-se também as listas dos bispos católicos das principais igrejas: Roma, Jerusalém, Antioquia, Alexandria, todas as quais remontam aos próprios Apóstolos.

8. A Igreja Cristã foi Perseguida: Todos os Fiéis eram Católicos. Todos!


Por outro lado, à medida que se cumpriam as palavras do Apóstolo dos Gentios, que assinalavam Cristo como "o salvador da Igreja" (Efésios 5,23), o diabo, como "leão rugente", provocava perseguições aos crentes em todo o mundo (1Pedro 5,8-9). O próprio Mestre Divino já assim havia profetizado (João 15,20). Os primeiros cristãos suportavam com grande paciência diversas penas (2Coríntios 6,4-5), convertendo-se em verdadeiras "testemunhas de Jesus" (Apocalipse 17,6), para estar com Ele em sua glória (Romanos 8,17). Neste ponto, nossa Igreja é a que ofereceu mais mártires no Cristianismo: estima-se que, em vinte séculos, foram 40 milhões entre papas, bispos, sacerdotes, religiosos, monges, missionários, catequistas, neocatecúmenos, seculares, meninos e meninas. Apenas no século XX, 27 milhões morreram em razão de sua fé em perseguições religiosas promovidas na Espanha, no México, na Alemanha nazista, na ex-União Soviética, na China comunista, nas guerras civis de alguns países da África etc. Eles são "os que lavaram suas roupas e as alvejaram no sangue do Cordeiro" (Apocalipse 7,14), estão "vestidos de branco e portando folhas de palma em suas mãos" (Apocalipse 7,9). Por isso, Santo Agostinho dizia que "a Igreja Católica segue peregrinando entre as perseguições dos homens e os consolos de Deus".

Se vieres a fazer uma pesquisa em qualquer biblioteca sobre as perseguições promovidas no Império Romano para verificar quem foi martirizado, encontrarás os nomes dos grandes mártires católicos, os quais ainda hoje recordamos e amamos como santos, por terem dado as suas vidas pelo Evangelho. Inclusive quando atualmente festejamos o Dia dos Namorados, que trata do amor e da amizade, isto encontra-se em estreita relação com São Valentino, um mártir católico do início do século IV. TODOS ELES ERAM CATÓLICOS E ANTERIORES À LIBERDADE DE CULTO AUTORIZADA POR CONSTANTINO. O Cristianismo primitivo é o Catolicismo (se algum leitor discordar ou não crer nisto, pedimos para que investigue e nos envie um único nome de qualquer mártir dos primeiros séculos que tenha sido protestante ou evangélico. Embora nunca nos tenham enviado nada - pois jamais existiu - o autor continua aguardando com paciência).

9. A Igreja Católica expandiu o Cristianis
mo para todo o Mundo
Esta tarefa evangelizadora que se cumpre desde a ordem emanada pelo próprio Senhor Jesus, de dar a conhecer sua mensagem até os confins da terra (Atos 1,8), é testemunhada na História com a conversão do grande Império dos Césares, a partir de Constantino no século IV. Posteriormente, missionários e monges católicos fizeram o mesmo com as tribos bárbaras dos godos, vikings, francos, germanos entre outras. A partir do século XVI o Catolicismo se estendeu pela América, Índia, China, Japão e África, graças à pregação de valentes sacerdores e religiosos franciscanos, dominicanos, jesuítas, mercedários e agostinianos. Igualmente, outro sinal distintivo foi a atenção dada aos órfãos e viúvas (Tiago 1,27); nas igrejas, aos domingos, era recolhida uma oferta voluntária para tal fim (1Coríntios 16,1-2). Esta característica bíblica continua presente na Igreja Católica de nossos dias, responsável por uma imensa quantidade de hospitais, dispensários, leprosários, centros de saúde, asilos, orfanatos, creches, escolas, oficinas de capacitação, restaurantes populares para adultos e crianças, bancos de alimentação para pobres, centros de reabilitação para dependentes químicos em geral, aidéticos, entre outros. Obedece assim ao mandamento do apóstolo Tiago: "a fé sem obras é morta" (Tiago 2,14-18).

Hoje em dia é comum ouvirmos muitos grupos afirmarem que eles são a verdadeira Igreja de Cristo, portadores do verdadeiro Cristianismo; porém, a pergunta é bem simples: se eles são os verdadeiros cristãos, POR QUE NENHUM DELES VIERAM ORIGINARIAMENTE EVANGELIZAR A AMÉRICA E OUTROS CONTINENTES? A resposta é rápida: NÃO VIERAM PORQUE NÃO EXISTIAM.

10. A Igreja de Cristo: a Católica, desde o Princípio tem um Rosto Divino e Humano

Devemos reconhecer a Igreja de Cristo em sua parte humana, que cumpre a parábola do "joio entre o trigo" (Mateus 13,24-30) através dos tempos. De fato, o papa João Paulo II declarou humildemente que no Catolicismo tem existido "luzes e sombras". No entanto, o poder do inferno nunca poderá vencê-la (Mateus 16,18), pois o Messias sempre estará com os seus (Mateus 28,20; 1Coríntios 5,4), segundo ainda a sentença do mestre da Lei, Gamaliel (Atos 5,38-39), já que existe uma íntima união entre Deus, a Igreja e Cristo Jesus "por todos os séculos, agora e para sempre" (Efésios 3,21).

Que Deus continue te abençoando e dai graças a Deus se fores católico. Luta para ter uma relação pessoal com Jesus Cristo e testemunha com a tua vida que Ele está vivo. Se não sois católico e desejas ser 100% cristão, saiba que as portas da Igreja Católica estão abertas para ti. Te aguardamos

Autor do Texto: Guido Rojas
Tradução: Carlos Martins Nabeto
Fonte Original: Defende Tu Fe
Fonte em Português: Veritatis 

22/10/2012

Jesus, nosso amor eucarístico


"A devoção à Eucaristia - disse São Pio X, o Papa da Eucaristia - é a mais nobre de todas as devoções, porque tem o próprio Deus por seu objeto; é a mais salutar, porque nos dá o próprio Autor da graça; e é a mais suave, pois suave é o Senhor".

A devoção à Eucaristia, unida à devoção a Nossa Senhora, é uma devoção do Paraíso, porque é a devoção que tem os Anjos e os Santos. "Imaginemos uma academia do Paraíso - dizia a extática Santa Gema Galgani - onde é preciso que não se aprenda nada mais, senão amar. O Cenáculo é uma escola, Jesus é o Mestre, e as doutrinas que ele ensina são sua Carne e seu Sangue".

A Eucaristia é Jesus Amor. Por isso ela é o Sacramento do Amor, e de um Amor total: ela contém Jesus vivo e verdadeiro, e ele é o "Deus Amor" (Jo 4,8), o Deus que nos amou até o fim (cf. Jo 13, 1).

Todas as expressões do amor, as mais altas e profundas, estão contidas na Eucaristia: o Amor Crucificado, o Amor de União, o Amor de Adoração, o Amor contemplativo, o Amor orante e o amor que inebria.

Jesus Eucarístico é Amor Crucificado no Santo Sacrifício da Missa, no qual se faz imolação por nós; é Amor de União na Comunhão Sacramental e Espiritual, pela qual se torna um só com quem o recebe; é Amor de Adoração no santo tabernáculo no qual está presente como um holocausto de adoração ao Pai; é Amor contemplativo, no encontro com as almas que se comprazem em "ficar a seus pés", como Maria de Betânia (Lc 10, 39); é Amor de Oração, em sua "incessante intercessão por nós" diante dos olhos do Pai (Hb 7, 25); é Amor inebriante, nos celestes êxtases da união nupcial com os seus prediletos, os virgens e as virgens, que ele faz que se unam a sim com um amor exclusivo, como fez com São João Evangelista, o Apóstolo virgem, o único que no Cenáculo "esteve reclinado sobre o peito de Jesus" (Jo 21, 20)

"Ser possuídos por Jesus, e possuí-lo: eis o Reino perfeito do Amor" - assim escreveu São Pedro Julião Eymard. Pois bem; é a Eucaristia que realiza este "Reino perfeito do amor" em todos os puros de coração, que se aproximam dos santos Tabernáculos e se unem a Jesus sacramentado, com humildade e amor. Jesus na Eucaristia se imola por nós, e se dá a nós, e fica entre nós com uma humildade e um amor infinitos.

"Ó maravilhosa altura e dignação que nos espanta!" - exclama o seráfico São Francisco. "Ó humildade sublime e humilde sublimidade, que o Senhor do Universo, Deus e Filho de Deus, tenha querido humilhar-se, a ponto de esconder-se sob a pequena figura do pão, por nossa salvação! Contemplai, irmãos, até que ponto Deus desceu!... E, a partir daí, não reserveis mais nada para vós mesmos, a fim de que sejais inteiramente acolhidos por aquele que se dá todo a vós".

E Santo Afonso de Liguori acrescenta, com aquela sua afetuosa ternura: "Meu Jesus! Que invenção amorosa foi esta do Santíssimo Sacramento, de virdes esconder-vos debaixo das aparências do pão para fazer-vos assim amar e encontrar por quem vos deseja!".

Que o pensamento do Sacerdote, que nos dá Jesus cada dia e o da Bem-aventurada Virgem Maria, que é a Mãe divina de Jesus e de todos os sacerdotes, esteja sempre presente em nosso afeto para com o Santíssimo Sacramento, porque a Eucaristia, Nossa Senhora e o Sacerdote são inseparáveis, do mesmo modo que, no Calvário, foram inseparáveis Jesus, Maria e João Evangelista.

Aprendamos tudo isso na escola dos Santos. Eles viveram de maneira ardente e sublime, como verdadeiros Serafins de amor à Eucaristia. E só eles são o caminho mais seguro para irmos a Jesus, nosso Amor Eucarístico.

Fonte: Jesus Nosso Amor Eucarístico - Nossa Vida Eucarística, segundo os exemplos dos Santos (traduzido do italiano pelo Côn. A. Taciano). Pág. 3 a 6

21/10/2012

Como deve ser o ano da Fé?


É data que marcou o início do Concílio Vaticano II, em 1962. O Papa convocou o Sínodo dos Bispos no mês de outubro de 2012 que terá como tema: “A nova evangelização para a transmissão da fé cristã”, e que abrirá o “Ano da Fé”, que irá até a Festa de Cristo Rei, em novembro de 2013. É a Igreja cumprindo a missão que Jesus lhe deu: “Ide evangelizar!”.  A missão da Igreja é esta; Paulo VI disse que esta é a identidade e a missão da Igreja. Para a Igreja deixar de evangelizar seria como para o sol deixar de brilhar.

O Vaticano tem dado orientações de como deve ser este Ano especial. “O Ano da Fé quer contribuir para uma conversão renovada ao Senhor Jesus e à redescoberta da fé…”. A “Congregação da Fé” destaca que hoje é necessário um empenho maior a favor duma Nova Evangelização (“novo ardor, novos métodos e nova expressão”), para crer, reencontrar e comunicar a fé.

Recordando o 50º aniversário de abertura do Concílio Vaticano II, destaca que no Ano da Fé devem-se encorajar as romarias dos fiéis ao Vaticano, bem como à Terra Santa. O papel especial de Maria no mistério da salvação deverá ser ressaltado, e recomenda também  romarias, celebrações e encontros nos maiores Santuários Marianos no mundo.
A Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro deverá ser um evento de destaque dentro do Ano da Fé, uma “ocasião privilegiada aos jovens para experimentar a alegria que provém da fé no Senhor Jesus e da comunhão com o Santo Padre, na grande família da Igreja”. Sejam organizados simpósios, congressos e encontros de grande porte, a nível paroquiano, diocesano e internacional, que favoreçam o encontro com testemunhos da fé e o conhecimento da doutrina católica. Neste sentido o Vaticano pede que os fiéis se aprofundem no conhecimento dos principais Documentos do Concílio Vaticano II e o estudo do Catecismo da Igreja Católica, o que vale de modo particular “para os candidatos ao sacerdócio”.

O Vaticano deseja que haja celebração de abertura do Ano da Fé e uma solene conclusão do mesmo a nível de cada Igreja particular. E em cada diocese do mundo deverá ser preparada uma jornada sobre o Catecismo da Igreja Católica.  Também é pedido que neste Ano da Fé os fiéis  acolham com maior atenção as homilias, as catequeses, os discursos e as outras intervenções do Papa. “Cada Bispo poderá dedicar uma sua Carta pastoral ao tema da fé, recordando a importância do Concílio Vaticano II e do Catecismo da Igreja”.

No período da quaresma, haja celebrações penitenciais para se pedir perdão a Deus, em particularmente pelos pecados contra a fé; e que haja maior frequência ao sacramento da Penitência. “As novas Comunidades e os Movimentos eclesiais, de modo criativo e generoso, saberão encontrar os modos mais adequados para oferecer o próprio testemunho de fé ao serviço da Igreja”.

Felipe Aquino

09/10/2012

É bom fazer promessas?


As promessas não obrigam Deus a nos dar o que Ele não quer
As pessoas perguntam: O que a Igreja diz sobre as promessas? A Igreja as aprova quando realizadas adequadamente. Os santos faziam promessas. O Catecismo da Igreja Católica (CIC) diz que: “Em várias circunstâncias o cristão é convidado a fazer promessas a Deus… Por devoção pessoal o cristão pode também prometer a Deus este ou aquele ato, oração, esmola, peregrinação, etc. A fidelidade às promessas feitas a Deus é uma manifestação do respeito devido à majestade divina e do amor para com o Deus fiel” (CIC § 2101).
Há passagens bíblicas que contêm promessas. Jacó faz uma promessa a Deus: “Jacó fez então este voto: “Se Deus for comigo, se ele me guardar durante esta viagem que empreendi, e me der pão para comer e roupa para vestir, e me fizer voltar em paz casa paterna, então o Senhor será o meu Deus. Esta pedra da qual fiz uma estela será uma casa de Deus, e pagarei o dízimo de tudo o que me derdes” (Gn 28,20-22).Ana, a mãe do profeta Samuel, fez um voto: “E fez um voto, dizendo: Senhor dos exércitos, se vos dignardes olhar para a aflição de vossa serva, e vos lembrardes de mim; se não vos esquecerdes de vossa escrava e lhe derdes um filho varão, eu o consagrarei ao Senhor durante todos os dias de sua vida, e a navalha não passará pela sua cabeça” (1Sm 1,11).
Alguns salmos exprimem os votos ou as promessas dos orantes de Israel (Sl 65, 66, 116; Jn 2,3-9). “Se oferecerdes ao Senhor alguma oferenda de combustão, holocausto ou sacrifício, em cumprimento de um voto especial ou como oferta espontânea…” (Nm 15,3).
“Se uma mulher fizer um voto ao Senhor ou se impuser uma obrigação na casa de seu pai, durante a sua juventude, os seus votos serão válidos, sejam eles quais forem. Se o pai tiver conhecimento do voto ou da obrigação que se impôs a si mesma será válida. Mas, se o pai os desaprovar, no dia em que deles tiver conhecimento, todos os seus votos… ficarão sem valor algum. O Senhor perdoar-lhe-á, porque seu pai se opôs” (Nm 30,4-6).
No entanto, havia a séria recomendação para que se cumprisse o voto ou a promessa feita. “Mais vale não fazer voto, que prometer e não ser fiel à promessa” (Ecl 5,4). São Paulo quis submeter-se às obrigações do voto do nazireato: “Paulo permaneceu ali (em Corinto) ainda algum tempo. Depois se despediu dos irmãos e navegou para a Síria e com ele Priscila e Áquila. Antes, porém, cortara o cabelo em Cêncris, porque terminara um voto” (At 18,18).
“Disseram os judeus a Paulo: “Temos aqui quatro homens que fizeram um voto… Purificar-te com eles, e encarrega-te das despesas para que possam mandar rapar a cabeça. Assim todos saberão que são falsas as notícias a teu respeito, e que te comportas como observante da Lei” (At 21, 23s). É certo que as promessas não obrigam Deus a nos dar o que Ele não quer dar, pois sabe o que é melhor para nós, mas estas podem obter do Senhor, muitas vezes através da intercessão dos santos, graças de que necessitamos. Jesus mandou pedir e com insistência.
As promessas nada têm de mágico ou de mecânico, nem podem ser um “comércio” com Deus; pois não se destinam a “dobrar a vontade do Senhor. Às vezes os fiéis prometem até coisas que não conseguem cumprir por falta de condições físicas, psíquicas ou financeiras, e ficam com medo de um castigo de Deus Pai. Pior ainda quando alguém faz uma promessa para que outro a cumpra, sem o seu consentimento. Os pais não devem fazer promessas para os filhos cumprirem.
Ao determinar que nos daria as graças necessárias nesta vida, o Todo-poderoso quis incluir no Seu desígnio a nossa colaboração mediante a oração, o sacrifício, a caridade, etc. Deus quer dar levando em conta as orações que Lhe fazemos. Sob esta ótica, as promessas têm valor para Deus e para nós orantes, pois alimentam em nós o fervor; estimulam nossa devoção; exercitam em nosso coração o amor a Deus; e isso é valioso. Uma promessa bem feita pode nos abrir mais à misericórdia do Senhor.
Quando não se puder cumprir uma promessa feita a Deus, procure um sacerdote e peça-lhe que troque a matéria da promessa. Essa solução está de acordo com os textos bíblicos que preveem a possibilidade da mudança dos votos (ou promessas) por parte dos sacerdotes: “Se aquele que fizer um voto não puder pagar a avaliação, apresentará a pessoa diante do sacerdote e este fixá-la-á; o valor será fixado pelo sacerdote de acordo com os meios de quem fizer voto” (Lv 27, 8; cf. Lv 27,13s.18.23).
Procure prometer práticas não somente razoáveis, mas também úteis à santificação do próprio sujeito ou ao bem do próximo. Quanto aos ex-votos (cabeças, braços, pernas… de cera), que se oferecem em determinados santuários, diz Dom Estevão Bettencout que “podem ter seu significado, pois contribuem para testemunhar a misericórdia de Deus derramada sobre as pessoas agraciadas; assim levarão o povo de Deus a glorificar o Senhor; mas é preciso que as pessoas agraciadas saibam por que oferecem tais objetos de cera, e não o façam por rotina ou de maneira inconsciente” (PR, Nº 262 – Ano 1982 – Pág. 202).
Entre as melhores promessas estão as três clássicas que o próprio Jesus propôs: a oração, a esmola e o jejum (cf. Mt 6,1-18). A Santa Missa é o centro e o alimento por excelência da vida cristã. A esmola “encobre uma multidão dos pecados” (cf. 1Pd 4,8; Tg 5,20; Pr 10,12); o jejum e a mortificação purificam e libertam das paixões o ser humano. Jesus disse que certos males só podem ser eliminados pelo jejum e pela oração. Se a prática das promessas levar o cristão ao exercício dessas boas obras, então é salutar. As promessas nada têm a ver com as “obrigações” dos cultos afro-brasileiros, mas são expressões do amor filial dos cristãos a Deus.
FONTE: Prof. Felipe Aquino

Como ser um católico bem formado?


Quanto mais conhecemos a Igreja, mais a amamos
O autor da Carta aos Hebreus escreveu: “Ora, quem se alimenta de leite não é capaz de compreender uma doutrina profunda, porque é ainda criança. Mas o alimento sólido é para os adultos, para aqueles que a experiência já exercitou na distinção do bem e do mal” (Hb 5, 13-14). Sem esse “alimento sólido”, que a Igreja chama de “fidei depositum” (o depósito da fé), ninguém poderá ser verdadeiramente católico e autêntico seguidor de Jesus Cristo.
Não há dúvida de que a maior necessidade do povo católico hoje é a formação na doutrina. Por não a conhecer bem, esse mesmo povo, muitas vezes, vive sua espiritualidade, mas acaba procedendo como não católico, aceitando e vivendo, por vezes, de maneira diferente do que a Igreja ensina, especialmente na moral. E o pior de tudo é que se deixa enganar pelas seitas, igrejinhas e superstições.
Em sua recente viagem à África, que começou em 17 de maio de 2009, o Papa Bento XVI deixou claro que a formação é o antídoto para as seitas e para o relativismo religioso e moral. Em Yaoundé, em Camarões, o Sumo Pontífice disse que “a expansão das seitas e a difusão do relativismo – ideologia segundo a qual não há verdades absolutas –, tem um mesmo antídoto, segundo Bento XVI: a formação.” Afirmando que: “O desenvolvimento das seitas e movimentos esotéricos, assim como a crescente influência de uma religiosidade supersticiosa e do relativismo, são um convite importante a dar um renovado impulso à formação de jovens e adultos, especialmente no âmbito universitário e intelectual.” E o Santo Padre pediu “encarecidamente” aos bispos que perseverem em seus esforços por oferecer aos leigos “uma sólida formação cristã, que lhes permita desenvolver plenamente seu papel de animação cristã da ordem temporal (política, cultural, econômica, social), que é compromisso característico da vocação secular do laicado.”
Desde o começo da Igreja os Apóstolos se esmeraram na formação do povo. São Paulo, ao escrever a S. Tito e a S. Timóteo, os primeiros bispos que sagrou e colocou em Creta e Éfeso, respectivamente, recomendou todo cuidado com a “sã doutrina”. Veja algumas exortações do Apóstolo dos Gentios; a Tito ele recomenda: seja “firmemente apegado à doutrina da fé tal como foi ensinada, para poder exortar segundo a sã doutrina e rebater os que a contradizem” (Tt 1, 9). “O teu ensinamento, porém, seja conforme à sã doutrina” (Tt 2,1).
A Timóteo ele recomenda: “Torno a lembrar-te a recomendação que te dei, quando parti para a Macedônia: devias permanecer em Éfeso para impedir que certas pessoas andassem a ensinar doutrinas extravagantes, e a preocupar-se com fábulas e genealogias” (Tm 1, 3-4). E “Recomenda esta doutrina aos irmãos, e serás bom ministro de Jesus Cristo, alimentado com as palavras da fé e da sã doutrina que até agora seguiste com exatidão” (1Tm 4,6). São Paulo ensina que Deus “quer que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade” (1Tm 2, 4)Sem a verdade não há salvação. E essa verdade foi confiada à Igreja: “Todavia, se eu tardar, quero que saibas como deves portar-te na casa de Deus, que é a Igreja de Deus vivo, coluna e sustentáculo da verdade” (1Tm 3,15). Jesus garantiu aos Apóstolos na Última Ceia que o Espírito Santo “ensinar-vos-á toda a verdade” (Jo 16, 13) e “relembrar-vos-á tudo o que lhe ensinei” (Jo 14, 25). Portanto, se o povo não conhecer esta “verdade que salva”, ensinada pela Igreja, não poderá vivê-la. Mas importa que essa mesma verdade não seja falsificada, que seja ensinada como recomenda o Magistério da Igreja, que recebeu de Cristo a infalibilidade para ensinar as verdades da fé (cf. Catecismo da Igreja Católica § 981).
Já no primeiro século do Cristianismo os Apóstolos tiveram que combater as heresias, de modo especial o gnosticismo dualista; e isso foi feito com muita formação. São Paulo lembra a Timóteo que: “O Espírito diz expressamente que, nos tempos vindouros, alguns hão de apostatar da fé, dando ouvidos a espíritos embusteiros e a doutrinas diabólicas, de hipócritas e impostores [...]” (1Tm 4,1-2).
A Igreja, em todos os tempos, se preocupou com a formação do povo. Os grandes bispos e padres da Igreja como Santo Agostinho, Santo Ambrósio, Santo Atanásio, Santo Irineu, e tantos outros gigantes dos primeiros séculos, eram os catequistas do povo de Deus. Suas cartas, sermões e homilias deixam claro o quanto trabalharam na formação dos fiéis.
Hoje, o melhor roteiro que Deus nos oferece para uma boa formação é o Catecismo da Igreja Católica, aprovado em 1992 pelo saudoso Papa João Paulo II. Em sua apresentação, na Constituição Apostólica “Fidei Depositum”, ele declarou: “O Catecismo da Igreja Católica [...] é uma exposição da fé da Igreja e da doutrina católica, testemunhadas ou iluminadas pela Sagrada Escritura, pela Tradição apostólica e pelo Magistério da Igreja. Vejo-o como um instrumento válido e legítimo a serviço da comunhão eclesial e como uma norma segura para o ensino da fé”. E pede: “Peço, portanto, aos Pastores da Igreja e aos fiéis que acolham este Catecismo em espírito de comunhão e que o usem assiduamente ao cumprirem a sua missão de anunciar a fé e de apelar para a vida evangélica. Este Catecismo lhes é dado a fim de que sirva como texto de referência, seguro e autêntico, para o ensino da doutrina católica […]. O “Catecismo da Igreja Católica”, por fim, é oferecido a todo o homem que nos pergunte a razão da nossa esperança (cf. lPd 3,15) e queira conhecer aquilo em que a Igreja Católica crê.”
Essas palavras do Papa João Paulo II mostram a importância do Catecismo para a formação do povo católico. Sem isso, esse povo continuará sendo vítima das seitas, enganado por falsos pastores e por falsas doutrinas.
Mais do que nunca a Igreja confia hoje nos leigos, abre-lhes cada vez mais a porta para evangelizar; então, precisamos fazer isso com seriedade e responsabilidade. Ninguém pode ensinar aquilo que quer, o que “acha certo”; não, somos obrigados a ensinar o que ensina a Igreja, pois só ela recebeu de Deus o carisma da infalibilidade. Ninguém é catequista e missionário por própria conta, mas é um enviado da Igreja. Sem a fidelidade a ela, tudo pode ser perdido. Portanto, é preciso estar preparado, estudar, conhecer a Igreja, a doutrina, a sua História, o Catecismo, os documentos importantes, a liturgia, entre outros. Quanto mais conhecemos a Igreja e todo o tesouro que ela traz em seu coração, tanto mais a amamos.
FONTE: Prof. Felipe Aquino