O fundador da denominação adventista é William Miller (1782-1849), camponês nascido de pais piedosos batistas. Em 1816, comparando os textos sagrados entre si, chegou à conclusão de que a segunda vinda de Cristo se daria em 1843. Com efeito, os 2300 dias mencionados em Dn 8,5-11 deveriam ser tidos como anos, que ele começava a contar a partir do retorno de. Esdras a Jerusalém, ou seja, a partir de 457 a.C. Donde 2300 - 457 = 1843. O fim do mundo, portanto, haveria de se dar, precisamente, entre 21/3/1843 e 21/3/1844; nesse período de tempo, Cristo reapareceria sobre a terra e reinaria com os santos pelo espaço de mil anos, durante os quais se daria a exaltação dos bons e a condenação dos maus, como parecia sugerido por Ap 20,6s.
Em 1842-1843 Miller realizou 120 assembléias nos campos, com a parti¬cipação global de 1500 ouvintes. A comunidade batista o excomungou. Miller tinha cinco mil discípulos em 22/10/1843.
Na verdade, porém, o prazo previsto passou sem novidade alguma... Então, o discípulo de Miller, S.S. Snow, refez o cálculo, alegando que o ano hebreu não correspondia ao ano cristão; por conseguinte, o termo exato da segunda vinda do Senhor seria o dia 22/10/1844. Foi por esta ocasião que os seguidores de Miller tomaram o nome de "adventistas". Todavia, também esta nova data decorreu sem alteração da história, e o entusiasmo de muitos discípulos se arrefeceu.
Surgiu então a figura ardorosa da sra. Ellen Gould White. Era metodista, quando aderiu à pregação de Miller e esperou a vinda de Cristo em 1844. Ellen dizia ter revelações que ela assim explicava: em 1844 se deu realmente algo de novo, não na terra, mas no céu. O santuário de que fala Dn 8,14 é o santuário celeste, do qual trata também Hb 9,11s; Jesus, naquele ano, entrou no "Santo dos santos" do céu. A sra. White dizia tê-lo visto com seus próprios olhos: podia atestar que, a partir de 22/40/1844, Jesus Cristo estava a exami¬nar os homens defuntos, aprovando ou reprovando cada um deles. Quando essa obra gigantesca acabasse, os vivos passariam por semelhante julgamen¬to, e o fim do mundo estaria próximo.
A tese, assim proposta pela "vidente", conseguiu convencer muita gente. Depois que Miller morreu (1848), tornou-se Ellen White a grande mestra do adventismo. Outra tese que a profetisa incutiu aos adventistas foi a da obser¬vância do sábado... Entre 1840 e 1844, alguns grupos batistas passaram a observar o sábado em lugar do domingo.
Os adventistas do sétimo dia (sabatistas) exigem a fé não somente nas Escrituras, mas também no espírito de profecia de Ellen Gould White. Eis a pergunta decisiva feita a todo candidato: "Aceita o espírito de profecia tal como se manifestou no seio da Igreja escatológica pelo ministério e os escri¬tos de E. G. White?"
Impunha-se também aos novos crentes a abstinência de fumo e álcool, sob pena de excomunhão da Vida Eterna. A Ceia do Senhor era celebrada com suco de uva, sem álcool. Este rigorismo contribuiu para que os adventistas do sétimo dia se tornassem uma comunidade de elite, exigente e fanática, à semelhança das seitas.
À medida que os adventistas foram se organizando, as cisões se multi¬plicavam em seu âmbito, originando ramos diversos: adventistas evangélicos, cristãos adventistas, a Igreja de Deus, a União da Vida e do Advento, os adventistas da era vindoura...
Traços doutrinários
Os adventistas acreditam em Deus uno e trino. Aceitam Jesus como Deus e homem (à diferença das testemunhas de Jeová).
O homem é por si mortal. Mas a morte física não é senão um sono das almas. Os mortos, inconscientes como estão, ignoram por completo o que ocorre na terra. Todos os defuntos, bons e maus, permanecerão em seus túmulos até a ressurreição Os santos receberão o dom da imortalidade quan¬do Cristo voltar, ao passo que os ímpios serão aniquilados.
O batismo é conferido, por imersão, somente aos adultos. É símbolo da conversão realizada anteriormente; não é meio eficaz de santificação.
Os adventistas do sétimo dia promovem campanhas em favor da higiene e da saúde do corpo. Chegam a distribuir livros de dietética e revistas de arte culinária ou de higiene. Tais impressos, às vezes, precedem os livros religio¬sos que os adventistas oferecem; servem, portanto, para abrir caminho ao proselitismo adventista. São banidos a carne de porco, o álcool, o café, o chá, os produtos excitantes, os narcóticos; o regime vegetariano é fortemente recomendado. O adventista que não se conforma com essas normas é excluído da comunidade; dizem-lhe que não poderá obter a Vida Eterna.
Em Síntese: a propaganda adventista é muito marcada por preceitos de higiene e pela notícia insistente de que o fim do mundo está próximo.
Uma avaliação
O adventismo pretende basear suas doutrinas sobre as Escrituras Sagra¬das, dando, porém, certa ênfase a proposições do Antigo Testamento, proposições estas que o cristianismo elucidou e reformulou.
Tenhamos em vista os seguintes pontos:
1) A tese de que as almas adormecem, pela morte, e se tornam inconscientes na outra vida, equivale à crença judia no cheol, região subterrânea onde se encontrariam inconscientes os bons e os maus (cf. Sl 87,11-13; Is 38,18s...). O Novo Testamento, ao contrário, ensina que, logo após a morte, o homem entra na sua sorte definitiva; os bons verão a Deus face a face (cf. FI 1,21-23; 2Cor 5,6-10; 1Jo 3,1-3... ).
2) O cálculo adventista da data do fim do mundo (1844) se apóia em interpretações fantasistas cio Livro de Daniel... Cristo não precisa de 151 anos para fazer o discernimento dos bons e dos maus (estamos em 1995!). O mundo pode durar ainda muitos séculos. O próprio Jesus se recusou a revelar aos apóstolos a data do Juízo Final; apenas quis incutir nos homens vigilân¬cia, a fim de que possam, a qualquer momento, receber o Juiz de toda a humanidade (cf. Mt 25,2;24,42.44; Mc 13,32). Por conseguinte, não é de se crer que a data do Juízo Final possa ser deduzida das Escrituras.
3) A crença num reinado milenar de Cristo sobre a terra tem suas raízes na literatura apocalíptica judaica, tendo sido professada por alguns escritores cristãos Mas, sem demora, a Igreja Católica a abandonou, consciente de que não corresponde à pregação de Cristo. Com efeito, o texto de Ap 20,6s, que faz alusão a esse reino milenar, há de ser lido sob a luz de Jo 5,25-29 (São João é o autor tanto do quarto Evangelho como do Apocalipse). Ora, naquela passagem do Evangelho, Jesus fala de duas ressurreições (cf vv. 25 e 28-29): a primeira se dá imediatamente (“já veio...”); a segunda é futura. Essas duas ressurreições correspondem à ressurreição primeira e à ressurreição segunda de Ap 20,5-7.
Significam a passagem da morte para a vida que se dá pelo batismo e pela graça santificante (ressurreição primeira) e a que ocorrerá no fim dos tempos, quando os corpos ressuscitarão, para que o homem - em corpo e alma possua a sua sorte eterna(ressurreição segunda). Entre uma e outra ressurreição, existe um intervalo de mil anos, conforme Ap 20,5-7... O número mil, aqui, designa bonança, vida... E com razão, pois viver em graça é viver desde já a Vida Eterna é, pois, viver mil anos (segundo o simbolismo dos antigos).
4) Quanto á observação do sábado, notemos: a palavra hebraica "shabbath” significa sete e repouso, de incido que qualquer sétimo dia (na seqüência dos dias do ano) consagrado ao repouso é sábado. Os cristãos deslocaram, de um dia, a observância do repouso ou do Sétimo dia, porque foi no dia posterior ao sábado - ou no domingo - que o Senhor Jesus ressuscitou dos mortos, apresentando ao mundo a nova criatura. Observemos que esse deslocamento se deve aos próprios apóstolos, como atestam 1 Cor 16,2; At 20,7 e Ap 1,40. O próprio Deus, colocando a ressurreição de Cristo no dia seguinte ao sábado, deu a entender que o dia do Senhor, por excelência, ou o sábado dos cristãos, deveria ser deslocado de um dia.
5) A proibição de certos alimentos também é vestígio do Antigo Testamento, ultrapassado pelos textos do Novo Testamento. Estes recomendam sobriedade e mortificação, mas já não proíbem os alimentos que a Lei de Moisés, por motivos de higiene e de pureza ritual, prescrevia. Diz, por exemplo, o Senhor Jesus: "Não percebeis que tudo quanto entra de fora no homem não o pode tornar impuro, porque não penetra no coração...?" (Mc 7,18s). São Paulo, por sua vez, escreve: "Alguns impostores proíbem o uso de alimentos que o Senhor criou paia que, com ação de graças, participem deles os fiéis e aqueles que conhecem a verdade. porque tudo o que Deus criou é bom e não é para desprezar, contanto que se tome com ação de graças, pois é santificado pela palavra de Deus e pela oração” (1Tm 4,2-5).
Vemos, pois, quanto os adventistas estão longe de representar o autêntico cristianismo!
(fonte site www.Cleofas.com.br)
16/11/2009
Os Cinco Mandamentos da Igreja
Obrigações que todo católico tem de cumprirA+A-Uma coisa que muitos católicos não sabem – e por isso não cumprem – é que existem os "Cinco Mandamentos da Igreja", além dos Dez Mandamentos conhecidos. Eles não foram revogados pela Igreja com o novo Catecismo de João Paulo II (1992). É preciso entender que mandamento é algo obrigatório para todos os católicos, diferente de recomendações, conselhos, entre outros.
Cristo deu poderes à Sua Igreja a fim de estabelecer normas para a salvação da humanidade. Ele disse aos Apóstolos: "Quem vos ouve a mim ouve, quem vos rejeita a mim rejeita, e quem me rejeita, rejeita Aquele que me enviou" (Lc 10,16). E prossegue: “Em verdade, tudo o que ligardes sobre a terra, será ligado no céu, e tudo o que desligardes sobre a terra, será também desligado no céu.” (Mt 18,18)
Então, a Igreja legisla com o "poder de Cristo", e quem não a obedece, não obedece a Cristo, e conseqüentemente a Deus Pai.
De modo que para a salvação do povo de Deus, a Igreja estabeleceu cinco obrigações que todo católico tem de cumprir, conforme ensina o Catecismo da Igreja Católica (CIC). Este ensina: "Os mandamentos da Igreja situam-se nesta linha de uma vida moral ligada à vida litúrgica e que dela se alimenta. O caráter obrigatório dessas leis positivas promulgadas pelas autoridades pastorais tem como fim garantir aos fiéis o mínimo indispensável no espírito de oração e no esforço moral, no crescimento do amor de Deus e do próximo." (§2041)
Note que o Catecismo diz que isso é o "mínimo indispensável" para o crescimento na vida espiritual dos fiéis. Podemos e devemos fazer muito mais, pois isso é apenas o mínimo obrigado pela Igreja. Ela sabe que, como Mãe, tem filhos de todos os tipos e condições, portanto, fixa, sabiamente, apenas o mínimo necessário, deixando que cada um, conforme a sua realidade, faça mais. E devemos fazer mais.
1º – Primeiro mandamento da Igreja: "Participar da missa inteira nos domingos e outras festas de guarda e abster-se de ocupações de trabalho".
Ordena aos fiéis que santifiquem o dia em que se comemora a ressurreição do Senhor, e as festas litúrgicas em honra dos mistérios do Senhor, da santíssima Virgem Maria e dos santos, em primeiro lugar participando da celebração eucarística, em que se reúne a comunidade cristã, e se abstendo de trabalhos e negócios que possam impedir tal santificação desses dias (Código de Direito Canônico-CDC , cân. 1246-1248) (§2042).
Os Dias Santos – com obrigação de participar da missa, são esses, conforme o Catecismo: “Devem ser guardados [além dos domingos] o dia do Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo, da Epifania (domingo no Brasil), da Ascensão (domingo) e do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo (Corpus Christi), de Santa Maria, Mãe de Deus (1º de janeiro), de sua Imaculada Conceição (8 de dezembro) e Assunção (domingo), de São José (19 de março), dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo (domingo), e por fim, de Todos os Santos (domingo)” (CDC, cân. 1246,1; n. 2043 após nota 252) (§2177).
2º - Segundo mandamento: "Confessar-se ao menos uma vez por ano".
Assegura a preparação para a Eucaristia pela recepção do Sacramento da Reconciliação, que continua a obra de conversão e perdão do Batismo (CDC, cân. 989). É claro que é pouco se confessar uma vez ao ano, seria bom que cada um se confessasse ao menos uma vez por mês, pois fica mais fácil de se recordar dos pecados e de ter a graça para vencê-los.
3º - Terceiro mandamento: "Receber o sacramento da Eucaristia ao menos pela Páscoa da ressurreição" (O período pascal vai da Páscoa até festa da Ascenção) e garante um mínimo na recepção do Corpo e do Sangue do Senhor em ligação com as festas pascais, origem e centro da Liturgia cristã (CDC, cân. 920).
Também é muito pouco comungar ao menos uma vez ao ano. A Igreja recomenda (não obriga) a comunhão diária.
4º - Quarto mandamento: "Jejuar e abster-se de carne, conforme manda a Santa Mãe Igreja" (No Brasil isso deve ser feito na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa). Este jejum consiste em um leve café da manhã, um almoço leve e um lanche também leve à tarde, sem mais nada no meio do dia, nem o cafezinho. Quem desejar, pode fazer um jejum mais rigoroso; o obrigatório é o mínimo. Os que já tem mais de sessenta anos estão dispensados da obrigatoriedade, mas podem fazê-lo se desejarem.
Diz o Catecismo que o jejum "Determina os tempos de ascese e penitência que nos preparam para as festas litúrgicas; contribuem para nos fazer adquirir o domínio sobre nossos instintos e a liberdade de coração (CDC, cân. 882)".
5º - Quinto mandamento: "Ajudar a Igreja em suas necessidades"
Recorda aos fiéis que devem ir ao encontro das necessidades materiais da Igreja, cada um conforme as próprias possibilidades (CDC, cân. 222). Não é obrigatório que o dízimo seja de 10% do salário, nem o Catecismo nem o Código de Direito Canônico obrigam esta porcentagem, mas é bom e bonito se assim o for. O importante é, como disse São Paulo, dar com alegria, pois “Deus ama aquele que dá com alegria” (cf. 2Cor 9, 7). Esta ajuda às necessidades da Igreja pode ser dada uma parte na paróquia e em outras obras da Igreja.
Obrigações que todo católico tem de cumprirA+A-Uma coisa que muitos católicos não sabem – e por isso não cumprem – é que existem os "Cinco Mandamentos da Igreja", além dos Dez Mandamentos conhecidos. Eles não foram revogados pela Igreja com o novo Catecismo de João Paulo II (1992). É preciso entender que mandamento é algo obrigatório para todos os católicos, diferente de recomendações, conselhos, entre outros.
Cristo deu poderes à Sua Igreja a fim de estabelecer normas para a salvação da humanidade. Ele disse aos Apóstolos: "Quem vos ouve a mim ouve, quem vos rejeita a mim rejeita, e quem me rejeita, rejeita Aquele que me enviou" (Lc 10,16). E prossegue: “Em verdade, tudo o que ligardes sobre a terra, será ligado no céu, e tudo o que desligardes sobre a terra, será também desligado no céu.” (Mt 18,18)
Então, a Igreja legisla com o "poder de Cristo", e quem não a obedece, não obedece a Cristo, e conseqüentemente a Deus Pai.
De modo que para a salvação do povo de Deus, a Igreja estabeleceu cinco obrigações que todo católico tem de cumprir, conforme ensina o Catecismo da Igreja Católica (CIC). Este ensina: "Os mandamentos da Igreja situam-se nesta linha de uma vida moral ligada à vida litúrgica e que dela se alimenta. O caráter obrigatório dessas leis positivas promulgadas pelas autoridades pastorais tem como fim garantir aos fiéis o mínimo indispensável no espírito de oração e no esforço moral, no crescimento do amor de Deus e do próximo." (§2041)
Note que o Catecismo diz que isso é o "mínimo indispensável" para o crescimento na vida espiritual dos fiéis. Podemos e devemos fazer muito mais, pois isso é apenas o mínimo obrigado pela Igreja. Ela sabe que, como Mãe, tem filhos de todos os tipos e condições, portanto, fixa, sabiamente, apenas o mínimo necessário, deixando que cada um, conforme a sua realidade, faça mais. E devemos fazer mais.
1º – Primeiro mandamento da Igreja: "Participar da missa inteira nos domingos e outras festas de guarda e abster-se de ocupações de trabalho".
Ordena aos fiéis que santifiquem o dia em que se comemora a ressurreição do Senhor, e as festas litúrgicas em honra dos mistérios do Senhor, da santíssima Virgem Maria e dos santos, em primeiro lugar participando da celebração eucarística, em que se reúne a comunidade cristã, e se abstendo de trabalhos e negócios que possam impedir tal santificação desses dias (Código de Direito Canônico-CDC , cân. 1246-1248) (§2042).
Os Dias Santos – com obrigação de participar da missa, são esses, conforme o Catecismo: “Devem ser guardados [além dos domingos] o dia do Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo, da Epifania (domingo no Brasil), da Ascensão (domingo) e do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo (Corpus Christi), de Santa Maria, Mãe de Deus (1º de janeiro), de sua Imaculada Conceição (8 de dezembro) e Assunção (domingo), de São José (19 de março), dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo (domingo), e por fim, de Todos os Santos (domingo)” (CDC, cân. 1246,1; n. 2043 após nota 252) (§2177).
2º - Segundo mandamento: "Confessar-se ao menos uma vez por ano".
Assegura a preparação para a Eucaristia pela recepção do Sacramento da Reconciliação, que continua a obra de conversão e perdão do Batismo (CDC, cân. 989). É claro que é pouco se confessar uma vez ao ano, seria bom que cada um se confessasse ao menos uma vez por mês, pois fica mais fácil de se recordar dos pecados e de ter a graça para vencê-los.
3º - Terceiro mandamento: "Receber o sacramento da Eucaristia ao menos pela Páscoa da ressurreição" (O período pascal vai da Páscoa até festa da Ascenção) e garante um mínimo na recepção do Corpo e do Sangue do Senhor em ligação com as festas pascais, origem e centro da Liturgia cristã (CDC, cân. 920).
Também é muito pouco comungar ao menos uma vez ao ano. A Igreja recomenda (não obriga) a comunhão diária.
4º - Quarto mandamento: "Jejuar e abster-se de carne, conforme manda a Santa Mãe Igreja" (No Brasil isso deve ser feito na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa). Este jejum consiste em um leve café da manhã, um almoço leve e um lanche também leve à tarde, sem mais nada no meio do dia, nem o cafezinho. Quem desejar, pode fazer um jejum mais rigoroso; o obrigatório é o mínimo. Os que já tem mais de sessenta anos estão dispensados da obrigatoriedade, mas podem fazê-lo se desejarem.
Diz o Catecismo que o jejum "Determina os tempos de ascese e penitência que nos preparam para as festas litúrgicas; contribuem para nos fazer adquirir o domínio sobre nossos instintos e a liberdade de coração (CDC, cân. 882)".
5º - Quinto mandamento: "Ajudar a Igreja em suas necessidades"
Recorda aos fiéis que devem ir ao encontro das necessidades materiais da Igreja, cada um conforme as próprias possibilidades (CDC, cân. 222). Não é obrigatório que o dízimo seja de 10% do salário, nem o Catecismo nem o Código de Direito Canônico obrigam esta porcentagem, mas é bom e bonito se assim o for. O importante é, como disse São Paulo, dar com alegria, pois “Deus ama aquele que dá com alegria” (cf. 2Cor 9, 7). Esta ajuda às necessidades da Igreja pode ser dada uma parte na paróquia e em outras obras da Igreja.
Nota: Conforme preceitua o Código de Direito Canônico, as Conferências Episcopais de cada país podem estabelecer outros preceitos eclesiásticos para o seu território (CDC, cân. 455) (§2043).
Demos graças a Deus pela Santa Mãe Igreja que nos guia. O Papa Paulo VI disse que "quem não ama a Igreja não ama Jesus Cristo".
(Site Canção Nova escrita por Prof. Felipe Aquino, site do escritor http://www.cleofas.com.br/)
14/11/2009
Anglicanos, a saudade da casa paterna
As orações dos anglicanos que desejavam entrar em plena comunhão com a Igreja Católica foram mais do que atendidas». Foi com essas palavras que o primaz da Comunhão Anglicana Tradicional, John Hepworth, arcebispo de Blackwood, na Austrália, comentou o anúncio feito por Bento XVI, no dia 20 de outubro, outorgando aos anglicanos desejosos de ingressar na Igreja Católica a liberdade de preservar a tradição espiritual e litúrgica de sua Igreja de origem.A decisão do Papa foi a resposta a uma solicitação feita por dezenas de bispos e centenas de grupos de fiéis, inconformados com a decisão tomada por suas lideranças de conceder o sacerdócio e o episcopado às mulheres e aos homossexuais e de abençoar uniões entre pessoas do mesmo sexo. A maioria deles pertence à Comunhão Tradicional Anglicana, uma Igreja que se separou da Comunhão Anglicana original. Presente em vários países, compõe-se de aproximadamente 400.000 pessoas. Em 2008, ela pediu para voltar a fazer parte da Igreja Católica Apostólica Romana.
Como se lembra, a Igreja Anglicana nasceu de uma cisão na Igreja Católica, efetuada no século XVI, quando o Rei Henrique VIII, por razões políticas e pessoais, declarou que a Igreja na Inglaterra deixaria de estar unida ao Papa. Desde então, os anglicanos desenvolveram tradições litúrgicas próprias, diferentes mas nem sempre conflitantes com a doutrina católica. Hoje, a Comunhão Anglicana é formada por 80 milhões de fiéis, divididos em várias "províncias" independentes umas das outras, mas em comunhão entre si. É a terceira maior igreja cristã do mundo, depois da Católica e da Ortodoxa.
Referindo-se à futura constituição apostólica que legislará sobre o assunto, Dom Hepworth acrescentou: «Com ela, Bento XVI nos oferecerá os meios para que os anglicanos entrem em plena comunhão com a Igreja Católica. O Papa quer dedicar seu pontificado à causa da unidade. Este é um momento de graças, um momento histórico, não porque o passado se apagou, mas porque se transformou».
Rowan Williams, arcebispo de Canterbury e primaz da Igreja da Inglaterra, recebeu com serenidade a notícia da criação de uma estrutura canônica particular para os anglicanos que aderirem à fé católica. Foi o que expressou numa declaração conjunta com o arcebispo católico de Westminster, Vincent Gerard Nichols: «Este anúncio põe fim a um período de incertezas para muitos grupos que nutriam esperanças de novas formas de unidade com a Igreja Católica. A futura constituição é um reconhecimento da substancial convergência na fé, na doutrina e na espiritualidade entre a Igreja Católica e a tradição anglicana. Sem os diálogos dos últimos 40 anos, este reconhecimento não teria sido possível, nem tampouco se teria nutrido a esperança de uma plena e visível comunhão».
Em seu encontro com os jornalistas, o cardeal William Joseph Levada, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, explicou as razões que levaram a Igreja Católica a tomar essa medida: «Os anglicanos que se puseram em contato com a Santa Sé expressaram claramente seu desejo de uma plena e visível comunhão na Igreja una, santa, católica e apostólica. Ao mesmo tempo, nos falaram da importância de suas tradições ligadas à espiritualidade e ao culto. O Papa pensa numa estrutura canônica formada por ordinariados pessoais, que permitirão aos fiéis ex-anglicanos de entrar na plena comunhão da Igreja Católica, conservando os elementos de seu patrimônio espiritual e litúrgico específico».
Os ordinariados pessoais nos remetem a figuras jurídicas como a "Prelazia do Opus Dei", à "Administração Apostólica São João Maria Vianney" e aos "Ordinariados Militares", formadas por fiéis que não dependem de dioceses territoriais. Assim, os anglicanos que voltarem à Igreja contarão com bispos, sacerdotes e seminaristas próprios. A nova constituição permitirá aos pastores anglicanos casados que passem a ser presbíteros da Igreja Católica, acompanhados pela esposa e filhos. Esta exceção já estava em vigor desde o ano de 1994, quando, após a primeira ordenação de mulheres na Igreja Anglicana, vários sacerdotes pediram para entrar na Igreja Católica, conservando o estado clerical. Quanto aos bispos casados, serão recebidos na Igreja Católica como presbíteros. De acordo com as palavras do cardeal Levada, isso se deve a «razões históricas e ecumênicas», já que, tradicionalmente, o ministério episcopal está ligado ao celibato, inclusive na Igreja Ortodoxa e nas Igrejas Católicas Orientais.
13.Nov.2009
Dom Redovino Rizzardo, cs*
(Site do jornal O Progresso)
11/11/2009
Casamento gay?!Meu Deus é fim dos tempos,Igreja Evangélica permite casamento gay.
Eduardo subiu primeiro ao altar. Paullo o alcançou depois de um atraso programado, buquê de flores nas mãos. Cantava “Uma Vez Mais”, tema da abertura da novela Alma Gêmea, da TV Globo. “Quando eu te vi, o sonho aconteceu”, entoou, lágrimas nos olhos. Eduardo Silva, de 27 anos, é ex-pastor da Igreja Universal do Reino de Deus. Paullo Oliveira, de 31, é filho de um famoso pastor da Assembléia de Deus. Casaram-se há duas semanas pelas bênçãos da Igreja Contemporânea, uma denominação evangélica pentecostal criada há um ano no Rio de Janeiro para abrigar um rebanho sem lugar na maioria das denominações religiosas: os gays.
Quem celebrou a união foi o pastor Marcos Gladstone, fundador da Igreja Contemporânea. Ele também se prepara para casar-se em breve com um ministro do templo. Alguns convidados suspiram. “É inspirador. Espero que chegue logo a minha hora”, diz Leandro Machado, ex-obreiro da Universal que planeja o casamento com o namorado, Vanderson, ex-testemunha-de-jeová. A hora do beijo, a mais esperada, foi comemorada como um gol da Seleção Brasileira – quase uma surpresa, como se nunca fosse acontecer. “Melhor ser dois do que um, porque têm melhor paga do seu trabalho. Porque, se um cair, o outro levanta o seu companheiro; mas ai do que estiver só; pois, caindo, não haverá outro que o levante. Também, se dois dormirem juntos, eles se aquentarão; mas um só, como se aquentará?” Essa passagem do Eclesiastes, na Bíblia, é usada pelo pastor Gladstone como “prova de que não existem diferenças de gênero perante Deus quando duas pessoas se amam”. Foi lida por ele pouco antes da troca de alianças entre Eduardo e Paullo nos dedos de unhas esmaltadas de branco.
No Brasil, os gays evangélicos que desejam um casamento religioso podem escolher entre pelo menos três igrejas: a Igreja Contemporânea, a Igreja da Comunidade Metropolitana (ICM), denominação americana que tem filiais em sete Estados brasileiros, e a Comunidade Cristã Nova Esperança, de São Paulo. O fundador da Contemporânea, Marcos Gladstone, chegou a abrir uma filial da ICM, mas percebeu que no mercado religioso brasileiro havia espaço para uma igreja que acolhesse os gays, mas que não fosse militante. “A ICM é quase um movimento polí-tico em defesa da causa gay. Mas no Brasil os fiéis não gostam de misturar religião e militância”, diz Gladstone. “A Contemporânea não é uma igreja gay, mas que aceita gays. Os homossexuais estavam em busca de um lugar para professar a sua fé.”
Desde que mudou o nome – e as regras – de sua igreja, o número de adeptos saltou de 20 para cem. “Percebi que as pessoas queriam mais rigidez”, diz o fundador. Ele criou, então, regras severas como principal trunfo na disputa pela religiosidade do público homossexual: é proibido consumir álcool e cigarros e não é permitido fazer sexo fora do namoro ou casamento. O dízimo de 10% da renda familiar é obrigatório.
Na ICM, a principal “concorrente”, o fiel segue suas próprias regras morais. “Eu jamais direi o que o fiel deve ou não fazer. Os valores de cada um é que vão dirigir suas atitudes. Se fosse importante para Jesus definir regras de conduta sexual, ele teria dito isso”, diz o pastor Gelson Piber, do templo da ICM em Niterói, no Estado do Rio de Janeiro. O templo existe há dois anos, conta com 40 fiéis e tem 12 casa-mentos gays no currículo. “Acho que os gays querem se casar mais que os héteros.”
Em algumas pentecostais, a homossexualidade é uma manifestação do demônio. Na Igreja Contemporânea também há sessões de exorcismo, mas os belzebus supostamente arrancados dos fiéis não são responsabilizados pela opção sexual do fiel. Eduardo, um dos noivos, comandava um templo da Igreja Universal em Barra Mansa, no Rio. “Fiquei lá até um fiel me procurar confessando que era gay e precisava ser curado”, afirma. “Disse que era impossível, porque eu também sentia as mesmas coisas que ele.” Depois do episódio, ele abandonou o templo. Ao voltar para o Rio, foi expulso. Hoje, trabalha como garçom.
Paullo é professor universitário de Português. Sofreu muito com o preconceito do pai, que foi um dos mais conhecidos pastores da Assembléia de Deus de Madureira, no Rio. “Quando contei aos meus pais, disseram que era coisa do diabo querendo tomar conta da minha vida”, diz Paullo. “Cheguei a ficar noivo de uma mulher por um ano para manter as aparências.”
No Brasil, Eduardo e Paullo só serão casados em sua fé. A lei brasileira ainda não permite o casamento no Civil. O Projeto de Lei no 1.151, de 1995, da então deputada federal Marta Suplicy, contempla o casamento entre pessoas do mesmo sexo, mas está há mais de dez anos tramitando no Congresso sem previsão de votação. Desde 2001, casais brasileiros têm conquistado na Justiça o reconhecimento da relação como “união estável” – figura jurídica que garante direitos como pensão e bens adquiridos em conjunto. No mundo, países como Dinamarca, Holanda e Canadá já aprovaram a união civil entre gays. Na América Latina, capitais como Buenos Aires e Cidade do México criaram leis que permitem a união civil de homossexuais.
Na terça-feira (18), os gays marcaram um ponto histórico no Cone Sul. O Uruguai tornou-se o primeiro país da América Latina a reconhecer legalmente a união civil de pessoas do mesmo sexo. Aprovada pelo Senado por unanimidade, a lei precisa agora ser sancionada pelo presidente Tabaré Vázquez.
Eduardo e Paullo planejam tentar o reconhecimento civil mais tarde. Eles se conheceram no Orkut, há um ano, e procuraram a Igreja Contemporânea pela vontade de se casar. O pastor afirma só ter aceitado realizar a cerimônia depois de “ter certeza da convicção dos dois”. Os pais dos noivos não viveram o suficiente para testemunhar o casamento. As mães preferiram não dar o ar da graça para não criar polêmica em suas próprias igrejas. Perderam a cena dos filhos chorando tanto ao pronunciar os votos de amor eterno que Eduardo foi obrigado a tirar as lentes azuis compradas para a ocasião. Casou-se de olhos castanhos.
(fonte tv canal 13)
09/11/2009
Anglicanos decidem se integrar a Igreja Católica
Londres, 09 nov (RV) - Um grupo de paróquias da Comunhão Anglicana Tradicional (CAT) votou a favor de integrar-se à Igreja Católica. É a primeira resposta concreta à iniciativa do Vaticano. No último dia 20 de outubro a Santa Sé anunciou a criação de ordinariatos pessoais para acolher grupos de fiéis anglicanos que quisessem entrar em comunhão com a Igreja Católica. Nesta segunda-feira foi publicada, de fato a Constituição Apostólica de Bento XVI intitulada Anglicanorum Coetibus. O documento prevê uma estrutura canônica com instituições de ordinariatos pessoais que permitirão aos fiéis anglicanos entrar na Igreja Católica, mantendo os elementos específicos do seu patrimônio espiritual e litúrgico.
Os sacerdotes já casados poderão tornar-se sacerdotes católicos, enquanto os bispos não deverão ser casados. O entendimento foi conseguido de comum acordo com a Comunhão Anglicana e trata-se de um desenvolvimento do caminho ecumênico que a Igreja Católica está decididamente intencionada a prosseguir na estrada traçada pelo Concilio Vaticano II.
Em artigo publicado no L’Osservatore Romano, o reitor da Gregoriana, padre Gianfranco Ghirlanda nota que é instituída uma estrutura canônica flexível e - acrescenta - que como o Espírito Santo guiou o trabalho preparatório da Constituição Apostólica também assistirá na sua aplicação. (SP)
(Rádio do Vaticano 09/11/09)
Os sacerdotes já casados poderão tornar-se sacerdotes católicos, enquanto os bispos não deverão ser casados. O entendimento foi conseguido de comum acordo com a Comunhão Anglicana e trata-se de um desenvolvimento do caminho ecumênico que a Igreja Católica está decididamente intencionada a prosseguir na estrada traçada pelo Concilio Vaticano II.
Em artigo publicado no L’Osservatore Romano, o reitor da Gregoriana, padre Gianfranco Ghirlanda nota que é instituída uma estrutura canônica flexível e - acrescenta - que como o Espírito Santo guiou o trabalho preparatório da Constituição Apostólica também assistirá na sua aplicação. (SP)
(Rádio do Vaticano 09/11/09)
07/11/2009
A catequese do Papa Bento XVI"Teologia do coração",mais que "teologia da razão"

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 4 de novembro de 2009 (ZENIT.org).- Oferecemos, a seguir, a catequese do Papa Bento XVI durante a audiência geral de hoje com os peregrinos reunidos na Praça de São Pedro.
***
Queridos irmãos e irmãs:
Na última catequese, apresentei as principais características da teologia monástica e da teologia escolástica do século XII, que poderíamos chamar, de certa forma, respectivamente, de “teologia do coração” e “teologia da razão”.
Entre os representantes de uma e de outra corrente teológica houve um amplo debate, às vezes intenso, simbolicamente apresentado pela controvérsia entre São Bernardo de Claraval e Abelardo.
Para compreender esta confrontação entre os dois grandes mestres, é bom recordar que a teologia é a busca de uma compreensão racional, enquanto for possível, do mistério da Revelação cristã, que acreditamos pela fé: fides quaerens intellectum – a fé busca a inteligibilidade –, por citar uma definição tradicional, concisa e eficaz.
Pois bem, enquanto São Bernardo, típico representante da teologia monástica, enfatiza a primeira parte da definição, isto é, a fides (a fé), Abelardo, que é um escolástico, incide sobre a segunda parte, isto é, sobre o intellectus, sobre a compreensão por meio da razão.
Para Bernardo, a própria fé está dotada de uma íntima certeza, fundada no testemunho da Escritura e no ensinamento dos Padres da Igreja. A fé, além disso, reforça-se pelo testemunho dos santos e pela inspiração do Espírito Santo na alma de cada crente. Nos casos de dúvida e de ambiguidade, a fé deve ser protegida e iluminada pelo exercício do Magistério eclesial.
Assim, para Bernardo, era difícil estar de acordo com Abelardo, e mais em geral com aqueles que submetiam as verdades da fé ao exame crítico da razão; um exame que comportava, em sua opinião, uma grave perigo, o intelectualismo, a relativização da verdade, a discussão das próprias verdades da fé.
Nesta forma de proceder, Bernardo via uma audácia levada até a falta de escrúpulos, fruto do orgulho da inteligência humana, que pretende “capturar” o mistério de Deus. Em uma de suas cartas, com muita dor, ele escreve: “A criatividade humana se apodera de tudo, não deixando nada para a fé. Enfrenta o que está acima dela, escruta o que lhe é superior, irrompe no mundo de Deus, altera os mistérios da fé, mais do que os ilumina; não abre o que está fechado e selado, mas o erradica; e o que não acha viável, considera como nada e rejeita crer nisso” (Epístola CLXXXVIII,1: PL 182, I, 353).
Para Bernardo, a teologia tem um único fim: o de promover a experiência viva e íntima de Deus. A teologia é, portanto, uma ajuda para amar cada vez mais e melhor o Senhor, como recita o título do tratado sobre o Dever de amar a Deus (De diligendo Deo).
Neste caminho, há diversos graus, que Bernardo descreve detalhadamente, até o cume, quando a alma do crente se embriaga nas alturas do amor. A alma humana pode alcançar, já na terra, essa união mística com o Verbo divino, união que o Doutor Melífluo descreve como “bodas espirituais”. O Verbo divino a visita, elimina as últimas resistências, ilumina-a, inflama-a e a transforma. Nesta união mística, a alma goza de uma grande serenidade e doçura, e canta ao seu Esposo um hino de alegria.
Como recordei na catequese dedicada à vida e à doutrina de São Bernardo, a teologia para ele não pode senão nutrir-se da oração contemplativa; em outras palavras, da união afetiva do coração e da mente com Deus.
Abelardo, que, por sua vez, é precisamente quem introduziu o termo “teologia” no sentido que entendemos hoje, coloca-se em uma perspectiva diversa. Nascido em Bretanha, na França, este famoso professor do século XII estava dotado de uma inteligência vivíssima e sua vocação era o estudo.
Ele se dedicou primeiro à filosofia e depois aplicou os resultados alcançados nesta disciplina à teologia, da qual foi professor na cidade mais culta da época, Paris, e sucessivamente nos mosteiros em que viveu.
Era um orador brilhante: suas aulas eram acompanhadas por verdadeiras massas de estudantes. De espírito religioso, mas personalidade inquieta, sua existência foi rica em golpes de cena: rebateu seus professores, teve um filho com uma mulher culta e inteligente, Eloísa; esteve frequentemente em polêmica com seus colegas teólogos; sofreu também condenações eclesiásticas, ainda que tenha morrido em plena comunhão com a Igreja, a cuja autoridade se submeteu com espírito de fé.
Precisamente São Bernardo contribuiu para a condenação de algumas doutrinas de Abelardo no sínodo provincial de Sens em 1140, e solicitou também a intervenção do papa Inocêncio II. O abade de Claraval rejeitava, como recordamos, o método intelectualista demais de Abelardo, que a seu ver reduzia a fé a uma simples opinião desvinculada da verdade revelada.
Os temores de Bernardo não eram infundados, mas compartilhados pelos demais, por outros grandes pensadores da sua época. Efetivamente, um uso excessivo da filosofia tornou perigosamente frágil a doutrina trinitária de Abelardo e, consequentemente, sua ideia de Deus.
No campo moral, seu ensinamento não estava privado de ambiguidade: ele insistia em considerar a intenção do sujeito como única fonte para descrever a bondade ou a malícia dos atos morais, descuidando, assim, do significado objetivo e do valor moral das ações: um subjetivismo perigoso.
Este é, como sabemos, um aspecto importante para a nossa época, na qual a cultura aparece frequentemente marcada por uma tendência crescente ao relativismo ético: só o “eu” decide o que é bom para mim, neste momento. Não podemos nos esquecer, contudo, dos grandes méritos de Abelardo, que teve muitíssimos discípulos e que contribuiu para o desenvolvimento da teologia escolástica, destinada a expressar-se de forma mais madura e fecunda no século seguinte.
Não devem ser desvalorizadas algumas das suas intuições, como, por exemplo, quando afirma que nas tradições religiosas não-cristãs já há uma preparação para a acolhida de Cristo, Verbo divino.
O que nós podemos aprender hoje da confrontação, frequentemente intensa, entre Bernardo e Abelardo e, em geral, entre a teologia monástica e a escolástica?
Antes de mais nada, penso que mostra a utilidade e a necessidade de uma discussão teológica sadia na Igreja, sobretudo quando as questões debatidas não foram definidas pelo Magistério, que continua sendo, contudo, um ponto de referência iniludível[não admite dúvida]. São Bernardo, mas também o próprio Abelardo, reconheceram sempre sua autoridade. Além disso, as condenações que este último sofreu nos recordam que no campo teológico deve haver um equilíbrio entre os que poderíamos chamar de princípios arquitetônicos, que nos foram dados pela Revelação e que conservam por isso sempre uma importância prioritária, e os interpretativos, sugeridos pela filosofia, isto é, pela razão, e que têm uma função importante, mas só instrumental.
Quando este equilíbrio entre a arquitetura e os instrumentos de interpretação diminui, a reflexão teológica corre o risco de contaminar-se com erros, e corresponde então ao Magistério o exercício desse necessário serviço à verdade, que lhe é próprio.
Além disso, é preciso sublinhar que, entre as motivações que induziram Bernardo a colocar-se contra Abelardo e a solicitar a intervenção do Magistério, estava também a preocupação por salvaguardar os crentes simples e humildes, aqueles a quem é preciso defender quando correm o risco de ser confundidos ou desviados por opiniões muito pessoais e por argumentações teológicas sem escrúpulos, que poderiam colocar sua fé em perigo.
Eu gostaria de recordar, finalmente, que a confrontação teológica entre Bernardo e Abelardo concluiu com uma plena reconciliação entre eles, graças à mediação de um amigo comum, o abade de Cluny, Pedro o Venerável, de quem falei em uma das catequeses anteriores. Abelardo mostrou humildade em reconhecer seus erros. Bernardo usou de grande benevolência. Em ambos, prevaleceu o que deve estar verdadeiramente no coração quando nasce uma controversa teológica, isto é, salvaguardar a fé da Igreja e fazer a verdade triunfar na caridade. Que esta seja também hoje a atitude nas confrontações na Igreja, tendo sempre como meta a busca da verdade.
[No final da audiência, o Papa cumprimentou os peregrinos em vários idiomas. Em português, disse:]
Uma cordial saudação aos peregrinos vindos de Coimbra e de São Paulo, ao grupo de Focolarinos do Brasil, aos fiéis cristãos da Catedral Nossa Senhora da Conceição em Bragança Paulista, com seu bispo, Dom José Maria Pinheiro, e à tripulação do Navio-Escola “Brasil” com o seu comandante, que aqui vieram movidos pelo desejo de afirmar e consolidar sua fé e adesão a Cristo, o Senhor dos Navegantes. Ele vos encha de alegria e o seu Espírito ilumine todas as decisões da vossa vida para realizardes fielmente o projeto de Deus a vosso respeito. Acompanha-vos a minha oração e bênção.
[Tradução: Aline Banchieri.
©Libreria Editrice Vaticana]
06/11/2009
Acordo aprovado no senado reafirma Igreja Católica no Brasil

O Senado brasileiro aprovou nesta quarta-feira um acordo entre o Brasil e o Vaticano em novembro passado, que estabelece um novo marco jurídico para a atuação da Igreja Católica no país.O documento reconhece o “direito da Igreja Católica de desempenhar sua missão apostólica e garante o exercício público de suas atividades”.Além disso, reafirma a personalidade jurídica da Igreja e de suas instituições, entre as quais cita a Conferência Episcopal, as paróquias e as dioceses, e estabelece marcos de cooperação com o Estado.O acordo foi assinado em 13 de novembro, durante uma visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao papa Bento XVI.Até agora, os aspectos jurídicos da Igreja Católica no país eram regidos por um decreto de 7 de janeiro de 1890, quando a récem-nascida República, proclamada em 15 de novembro do ano anterior, reconhecia a personalidade jurídica da instituição.O novo documento contém 20 artigos que regulam o funcionamento da Igreja Católica e a suas instituições no Brasil, baseado na Constituição e no respeito ao Estado laico.Entre estes, destaque para o papel da Igreja Católica no casamento religioso e o trabalho social desenvolvido em escolas, hospitais e prisões.Agora o acordo segue para sanção presidencial e entra em vigor depois de ser publicado no Diário Oficial.
Fonte: EFE / Gospel Prime
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