14/11/2010

A Autofagia Protestante


 O que é autofagia? Todo mundo sabe. Algo como "quem come a se mesmo". Mas tomemos o termo por "quem degenera a si mesmo". É isso que a doutrina protestante faz: degenera a si mesma.
Antes do século XVI não existia protestantismo. John Wyclief e John Huss lançaram idéias que nortearam a doutrina protestante que viria adiante.
O monge agostiniano Martinho Lutero, após estudar as cartas de São Paulo, principalmente Romanos e Gálatas, chegou à resposta de seus massacrantes conflitos espirituais: somos salvos somente pela fé em Cristo, independente do nosso pecado. Além desta, outra atividade proporcionou a aparição de Lutero: a venda de indulgências. Lutero formulou 95 teses onde protesta contra o que acreditava ser a doutrina das indulgências. Se fixou-as na porta da Igreja de Wittenberg não é certeza, mas a partir desse momento histórico deu-se o que foi chamado erroneamente de "reforma protestante".
O termo é impróprio porque se vamos reformar algum lugar, nossa casa por exemplo, não a reformaremos mudando para outra casa, mas a reformaremos mantendo-nos como moradores que esperam a casa ficar "reformada" para podermos nela voltar a morar bem, agora do jeito que se quer. Não foi isso que Lutero fez. Nem Lutero, nem Calvino, nem John Smith, nem nenhum outro fundador das diversas igrejas protestantes.
O melhor termo seria "revolução protestante" porque realmente assim foi caracterizada. Francisco de Assis, muito antes da reforma e Inácio de Loyola, entre vários outros, conseguiram reformar a Igreja sem "mudar de casa".
Reformaram a que viviam. A Companhia de Jesus de Inácio de Loyola foi um dos pilares da reforma católica.
Lutero lançou doutrinas que foram aceitas por muitas pessoas, muitas mesmo, como a "verdadeira forma de vida cristã". Entre eles citam-se a doutrina da Sola Fide e Sola Scriptura, onde, a partir daí, o protestantismo começou a degenerar. A doutrina anabatista, ainda vista por Lutero, seguia à risca o que entendia por Sola Scriptura. Tanto à risca que as doutrinas eram diferentes das que Lutero pregava. A revolta dos camponeses serviu para mostrar o perigo que a interpretação pessoal da bíblia representa para o cristianismo. Nunca se viu tal coisa no catolicismo.
Pelas cisões constantes no corpo das igrejas protestantes o Evangelho também foi dividido. As doutrinas "verdadeiras" para uma igreja não necessariamente a são para a igreja mais próxima. Mas ambas ainda defendem que as denominações do protestantismo formam uma igreja "invisível" onde existem diferenças mas a crença em Jesus Cristo como Senhor e Salvador as une. Ora, alguma coisa está errada. Uma igreja crê que é bíblico batizar crianças e outra igreja diz que não é bíblico. Não ser bíblico é dizer que é contra a Palavra de Deus. Ser contra a Palavra de Deus é o mesmo que ser contra Deus. Logo uma das igrejas, nesse ponto, é contrário ao que Deus coloca em Sua Palavra, portanto há uma falha nessa "unidade invisível" proposta pelo protestantismo que nem eles mesmos sabem explicar. Mas para ambas, as duas são parte da mesma igreja de Jesus. Não há algo errado?
Pedro em uma de suas cartas diz que nenhuma profecia da escritura é de interpretação pessoal. Apesar das negações das igrejas protestantes, muitas de suas doutrinas são fruto de uma pura interpretação pessoal de seu fundador, ou imitação da interpretação pessoal da que fundou uma outra igreja. No fundo, no fundo, as doutrinas protestantes contrárias à católica são todas fruto de interpretações pessoais de pessoas que não possuem a autoridade para tal. E a doutrina católica? Foi fruto de uma interpretação pessoal de alguém: algum papa ou teólogo, dos padres da Igreja, alguém pegou sua bíblia e fixou no quê os católicos iriam crer. Isso não é interpretação pessoal??. Não. A Igreja é a possuidora da verdade, e como tal ela deve extrair das Escrituras o que é a verdade. Pedro recebeu uma ordem de Jesus, muito clara por sinal: "Pedro, confirma teus irmãos". Ora, Pedro era pescador. E, a não ser que os pescadores judeus eram peritos em exegese, Jesus deveria dar algum apoio para que Pedro, aliado aos demais apóstolos, entendessem bem as escrituras ao ponto de, do que eles entendessem, confirmassem os demais. Isto Jesus disse como faria: "O Espírito Santo mostrará toda a verdade". Ora. O depósito da fé é passado pelos apóstolos aos bispos, que são seus sucessores, pelo sacramento da ordem. É por causa disto que os bispos e os padres da Igreja Católica tiveram autoridade para formular as doutrinas da Igreja que conhecemos hoje. Os fundadores das igrejas protestantes não possuem nada parecido.
Recentemente um pastor evangélico frisou que nenhuma profecia da Escritura é de interpretação pessoal. Entretanto Lutero adotou o princípio do livre exame para que qualquer pessoa possa desfrutar de sua própria interpretação bíblica, claro que cada interpretação é fortemente iluminada pelo Espírito Santo, até aquela interpretação santa de que Jesus não é Deus adotada por algumas seitas que têm a mesma bíblia como "única regra de fé e prática".
Pois bem. Esse pastor é da Assembléia de Deus e, por exemplo, não crê na real presença de Jesus na eucaristia. Esta doutrina é "bíblica" (apesar de a bíblia mostrar que "este é o meu corpo"). Já algum protestante luterano que creia que Jesus está realmente presente na eucaristia também adota como bíblica essa doutrina. Imaginem o corpo de Cristo "invisível dessa maneira". Para esconder as feridas destas divisões, só sendo invisível mesmo. Voltando. Os dois, de posse em seus "livres exames" crêem em coisas diferentes. Mas dizem que fazem parte da mesma igreja. Como pode? Se o que une a Igreja invisível dos protestantes é a crença em Jesus então qual é o Jesus? É o que está ou não está na eucaristia? Se é o que está, como fica o lado que crê o contrário e vice-versa?
Hoje no Brasil o protestantismo cresce em número em forma muita rápida, mas ainda possuem pequena parcela na população brasileira. A avidez proselitista do protestantismo faz com que muitas piorem a situação destas que se degeneram cada vez mais. Hoje as igrejas pentecostais falam o que o povo QUER ouvir, e não o que o povo DEVE ouvir. Claro que não é sempre assim. Mas quando o assunto é céu, inferno, e, principalmente, dinheiro, aí é uma festa. A teologia da prosperidade prospera nesse meio, que arruína não com os donos de igrejas, cada vez mais ricos, mas com a doutrina de Cristo que diz "buscai as coisas do alto". O número de protestantes pouco importa aos católicos, se crescem ou deixam de crescer. As conversões na Igreja Católica ocorrem de forma diferente: conversões dentro dela mesma. São pessoas que antes eram nada em matéria religiosa, cumpridoras de tabela, ocupadoras de banco de igreja, e passaram a ser adoradores do Deus verdadeiro, Senhor e Salvador.
Hoje a Igreja Católica é atacada e ridicularizada por acusações das igrejas protestantes, que, aliás, as fazem em raros momentos de união de forças. Todas as igrejas protestantes contra a Igreja Católica. E Igrejas protestantes contra Igrejas Protestantes. É uma verdadeira autofagia protestante. Não vejo tal coisa na Igreja Católica, considerada por muitos como "sinagogas de satanás".
Jesus quer que sejamos um. E o que se entende por "que sejam um"? devemos fosforilar muito? Claro que não. "Uma só fé, um só batismo, um só pastor".
A "igreja invisível" dos protestantes não possuem uma só fé, nem um só batismo, nem um só pastor. As doutrinas protestantes são diversas. Convergem em alguns pontos mas divergem totalmente em outros. Não há uma só fé enquanto o livre exame assim permitir. "Mas cremos que Jesus é o salvador". Isto pode ser prova de uma só fé? Pode, claro, mas só e somente só nisso crerem as igrejas protestantes. O batismo é necessário à salvação "Sim ou não". Se o protestantismo estivesse sob uma única fé ouviríamos um sonoro "sim" ou "não". Mas o que ouvimos? "sim" dizem umas, "não" dizem outras. Não há uma só fé. Nesse caso há duas... deve haver também um só batismo: o do Espírito Santo. No protestantismo, pelo que aparenta, o fiel deve se batizar de novo se de onde vem a igreja não possui relações muito amigáveis. Mas o batismo é feito em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e não em nome da Igreja Católica ou da igreja batista ou da IURD.
Longe também estão de ter um só pastor. Basta ver que as igrejas protestantes já não tem mas nem chefe, mas "presidente". As "convenções" de igrejas evangélicas reúnem os líderes das igrejas para discutirem assuntos de interesse comum.
Opa! Líderes de igrejas? Nunca ouvi um Concílio Católico reunir líderes de igrejas católicas espalhadas pelo mundo. Reúnem os bispos, que são os chefes locais da Igreja Romana, que possui um só pastor: o Papa. Quem é o papa protestante? No passado Calvino era considerado tal. O rei da Inglaterra (no nosso tempo, a rainha) é o chefe da Igreja no País. Em nas demais localidades?
Pode uma pastor de uma igreja batista se meter a chefiar a igreja batista da próxima esquina? Não, não pode. Não há um só pastor.
Diante de tudo isto vemos que o culto evangélico cresce a cada dia no Brasil. Que o povo mais católico do mundo está cada ano menor. Mas, imaginando um país de maioria protestante, principalmente pentecostal fundamentalista, não consigo pensar noutra coisa a não ser numa enorme torre de Babel, onde dois não se sentam para conversar sobre doutrina, mas apenas sobre assuntos fraternais. Com certeza o mosaico protestante que está se tornando favorece cada vez mais cenas de autofagia. A autofagia protestante.
"Aquele que quer vingar-se encontrará a vingança do Senhor, o qual tirará exata conta de seus pecados" (Sab 28,1)

Ativistas homossexuais dão "beijaço " na passagem do Papa


  Ao menos cem ativistas gays e lésbicas se beijaram na passagem do papamóvel de Bento XVI pela praça da Catedral de Barcelona, quando o religioso seguia para o templo da Sagrada Família neste domingo na visita à Espanha.
Gays e lésbicas se colocaram em uma região da praça da Catedral que estava lotada de fiéis, que cantavam e davam vivas ao papa na saída do palácio episcopal onde ele passou a noite, depois de chegar de Santiago de Compostela, primeira etapa da viagem.
Jordi Petit, dirigente histórico do movimento homossexual da Catalunha, reclamou que há anos “a hierarquia eclesiástica ataca os direitos básicos humanos”, como sua insistência em proibir o uso de preservativos.
Os gays e lésbicas gritaram em coro palavras ao papa, chamando-o de “pederasta” e frases como a “Igreja que ilumina é a que arde”.
Em contrapartida, jovens cristãos saíram em defesa, dizendo “aqui está a juventude do papa”.

Fonte - Da EFE - 07/11/2010 

(OBS: É muito triste ver uma cena dessas a que ponto o ser humano chegou,eu penso que estas pessoas mesmo ñ concordando com a Igreja,deveriam pelo menos respeitar o Santo Papa,respeitar a Igreja de Jesus una e Santa...)Pri

04/11/2010

Doutrina Social da Igreja deve ser referência essencial para leigos


A doutrina social da Igreja representa “a referência essencial” para os fiéis leigos empenhados na sociedade e na política, ressalta o Papa Bento XVI em uma mensagem destinada ao Presidente do Pontifício Conselho Justiça e Paz, Cardeal Peter Kodwo Appalah.

O texto foi enviado por ocasião da Assembleia Plenária do dicastério vaticano, que começou na segunda-feira, 1º, e termina nesta sexta-feira, 5, em Roma, Itália.

O Pontífice salienta que a questão social está sempre mais interconectada nos seus variados âmbitos. Nesse sentido, aparece, de particular urgência, o compromisso da formação dos leigos católicos na Doutrina Social da Igreja. “De fato, é próprio dos fiéis leigos o dever imediato de trabalhar para uma ordem social justa”, ressalta.

O Santo Padre destaca também que os cidadãos livres e responsáveis devem se empenhar para promover uma correta configuração da vida social, no respeito da legítima autonomia da realidade terrena. “A doutrina social da Igreja representa assim a referência essencial para o planejamento e ação dos fiéis leigos, bem como para uma espiritualidade vivida, que se nutra e se enquadre na comunhão eclesial: comunhão de amor e de verdade, comunhão na missão”.

Bento XVI salientou, sobre os pontos mais importantes da doutrina social, a defesa da vida humana e a liberdade religiosa. “É de fundamental importância uma compreensão profunda da doutrina social da Igreja, em harmonia com todo o seu patrimônio teológico e fortemente enraizada na afirmação da dignidade transcendente do homem, na defesa da vida humana desde a sua concepção até a morte natural e da liberdade religiosa”, elucidou.

Dessa forma, segundo o Papa, a doutrina ajuda “a vislumbrar a riqueza da sabedoria que vem da experiência de comunhão com o Espírito de Deus e de Cristo e da acolhida sincera do Evangelho”. O Santo Padre ressaltou ainda que somente com a caridade, sustentada pela esperança e iluminada pela fé e pela razão, é possível conseguir objetivos de libertação integral do homem e de justiça universal.

02/11/2010

Identidade litúrgica:oque celebra?



  Hoje o mundo vive uma crise litúrgica. As mudanças foram ocorrendo a passos curtos, porém, já percorreram uma longa distância. Isso fez com que a mentalidade atual ficasse “habituada ao erro”, enraizada num modo de agir que “aparentemente não tem nada demais”, fruto da falta de formação e de uma postura egocêntrica adotada pelos fiéis. Por isso a importância de fazer com que os fins a que se destina a ação litúrgica sejam novamente compreendidos e vivenciados de forma sacra. Pois, segundo Gamber, temos passado, de uma forma exagerada, a pôr o acento na atividade dos participantes, colocando num segundo plano os próprios elementos do culto.

O próprio Sumo Pontífice vem tentando resolver as questões da liturgia, tão mal compreendidas por leigos e até mesmo por Sacerdotes. Reconhecê-la como uma propriedade, ao seu bel prazer, é dar margens a gostos e inclinações pessoais, deixando de lado o sentido da liturgia e desconsiderando 2000 anos de Tradição.

A liturgia é extremamente rica, com um vasto simbolismo presente na Santa Missa, e em especial a Celebração versus Deum, vulgarmente chamada de “de costas”. Neste posicionamento há uma consonância maior entre a Igreja militante e a triunfante, pois toda a Ecclesia, sacerdote e fiéis, está voltada para Deus, em uma comum união. O sacerdote, como capitão da barca, um alter Christus, deixa de ser o foco - o qual nunca deveria ter sido - e se volta, juntamente com todos os fiéis, para o verdadeiro centro da Liturgia. Além disso, o versus Deum permite uma compreensão melhor do sentido sacrificial, gerando nos crentes uma postura digna ao participar do mistério da Cruz que se faz presente na Santa Missa. Ademais, faz com que os abusos litúrgicos sejam suprimidos, em detrimento de uma postura mais piedosa e em consonância com o ethos litúrgico milenar.

Durante a celebração eucarística, o Filho de Deus quer unir-se conosco, através da perpetuação incruenta do Seu sacrifício. Por isso, após a consagração, o sacerdote, fazendo as vezes da Pessoa de Cristo, volta-se ad Orientem, como forma de reforçar a orientação espiritual da liturgia. Este rico simbolismo litúrgico remonta às tradições mais fundamentais do Cristianismo. Infelizmente, a heresia do arqueologismo, que tenta recriar o cenário da dita igreja primitiva, rompe com todo o desenvolvimento orgânico do senso da Liturgia. Em outros ritos, o mistério do altar, em especial o momento da Consagração, é guardado e reservado. No Rito Bizantino as portas da iconostase – porta santa – que apenas clérigos podem usar -, porta diaconal e porta setentrional -, se fecham em silêncio no ápice da Celebração. Do mesmo modo, no Rito Armênio, as cortinas são abertas para conservar o mistério. No Rito Romano houve, por muito tempo, a jubé que, mesmo não sendo uma barreira intencional entre o clero e o povo – sua destinação era criar um ambiente apropriado para a oração monástica e as Missas conventuais – separava o altar-mor da nave. Entretanto, depois do Concílio de Trento, as jubés foram retiradas partindo das definições conciliares que pediam maior acesso dos fiéis ao altar. São Carlos Borromeu enfatizou a importância da visibilidade do altar-mor. Assim, foi construída a Igreja de Gesú, em Roma. Não obstante, a posição versus Deum e, em especial, as orações com voz submissa, encarnam o mesmo caráter oculto, sublime, místico e misterioso da Celebração; seriam a “iconostase ocidental”.

Destarte, por mais absurdo que possa parecer, algumas pessoas concebem a existência de abusos, dos mais variados, no rito de Paulo VI, justificados como expressões de alegria, criatividade, mas não os acham devidos nos ritos Romano Tradicional, Bizantino, Armênio, Copta etc. Claro que o sentido litúrgico é exatamente o mesmo em todos os ritos, a mesma realidade sobrenatural se faz presente. Assim, para tais católicos, é como se “tudo lhes fosse permitido e conveniente” na forma ordinária, um indulto que sanciona todo o tipo de balbúrdia, originando, dessa forma, um caos na antípoda do correto espírito sacrificial. O resultado dessa mentalidade é um círculo vicioso mui destrutivo onde um “pequeno desvio” origina uma diversidade de erros.

A Igreja é o Corpo Místico de Cristo e, como tal, reflete a perfeição e ordem do Deus que a edificou. Só que, muitas vezes, o homem, com toda a atual visão antropocêntrica, fere esse princípio, tentando subordinar o que é divino ao que é humano. A liturgia usa sinais visíveis para expressar uma realidade invisível, agora imagine o quão grave é a falta de reverência, quando não irreverências, de alguns fiéis diante de tais sinais? É inconcebível pensar que existem crentes preocupados em transformar a liturgia naquilo que pré-estabelecem, tentando “ajustar” ao que apreciam.

Isso permite que a própria celebração se transforme numa representação que não condiz com o espírito do Calvário. Os ritos iniciais se transformam numa entrada “alegórica” de diversos leigos com cartazes, faixas, se assemelhando a uma verdadeira peça teatral, com direito até a coreografia. O canto de entrada mais parece uma “ola” num estádio de futebol. O ato penitencial? Ah, esse é feito sem reverência, sem piedade e sem contrição, com músicas muitas vezes que levam os fiéis a pensar em tudo o que está ao seu redor ou até mesmo fora da Igreja, mas não a interiorizar e a refletir sobre os próprios pecados, sequer permite o exercício de um exame de consciência com toda a humildade que é essencial. O Glória é por vezes acompanhado com palmas e danças. E na Oração Eucarística sempre se canta uma música entre a consagração das Oblatas. Isso sem falar na oração da paz, o momento onde Sacerdote e fiéis “rezam juntos”, muitas vezes, infelizmente, a pedido do próprio Presbítero. Silêncio pós-comunhão? Não há, é a “hora de colocar o papo em dia”, afinal, as músicas animadas não param de tocar. Se faz mister frisar que nós não cantamos na Missa, mas sim, cantamos a Missa. A música não é, na Celebração Eucarística, um componente meramente estético, mas sim uma parte essencial da Ação de Graças. Sobretudo, a música deve possuir a qualidade que é própria do senso litúrgico: a santidade. Deve ser santa e, por isso, deverá romper com tudo o que é profano, sendo condizente com a dignidade do templo e favorecendo a edificação dos fiéis.

A mentalidade do fiel moderno é muito problemática. Os abusos litúrgicos e o espírito da reforma criaram uma verdadeira aberração. Os crentes se viciam no erro, se agarram a ele numa postura egocêntrica que reflete o antropocentrismo do ethos da sociedade atual. As Igrejas estão cheias, com pessoas se ajoelhando na Consagração, mas que não conseguem entender nem mesmo a fé que professam com sensatez. Crêem na Eucaristia mas não fazem uma genuflexão diante do Sacrário, crêem na Presença Real mas não se incomodam com irreverências na Comunhão. Seguem um credo mas não conseguem aplicá-lo a toda a realidade religiosa.

Os fiéis estão fechados, viciados, agarrados ao erro. Muitos não estão dispostos a aprender, se importam apenas com aquilo que os fazem bem, com aquilo que gostam e apreciam (sic). O relativismo cria brechas, "permite" malabarismos retóricos. Ora, se alguém entende a Liturgia como Sacrifício e crê na Eucaristia como o Corpo de Cristo é mais do que natural que acate e siga os ensinamentos da Igreja e o correto espírito litúrgico. Assim, fiéis sem nenhum grande conhecimento teológico, apologético, litúrgico, têm posturas legitimamente católicas, justamente porque raciocinam com a sensatez da crença que professam, aplicam os princípios que seguem. Entretanto, o relativismo faz com muitos outros crentes que também crêem na Liturgia como Sacrifício e na Eucaristia com a sua Presença Real, lancem mão de falácias sentimentalistas para endossar contradições óbvias. Nesse caso, contradições pesadas, já que é uma prática que se coloca na antítese da teoria; acreditam na Presença Real mas desonram a Eucaristia como se não acreditassem, por exemplo.

A lei da oração – lex orandi – reflete diretamente na lei da crença – lex credendi – e por isso é temorosa a situação de centenas de milhares de crentes. A fé é alimentada pela prática, pelos símbolos, pela sua vivência piedosa e fidedigna. O choque entre a teoria da fé e a sua prática corrói e desfavorece a compreensão profunda e plena do que se professa. A crença na Eucaristia, por exemplo, se faz na externalização, com atos de devoção, amor e adoração ao Cristo realmente presente. Entretanto, atitudes irreverentes, frias e nada piedosas ao Corpo e Sangue de Nosso Senhor enfraquecem a fé eucarística. O mesmo paradigma serve para todo arcabouço dogmático e doutrinal da Igreja.

Diante disso, urge um clamor para que os fiéis não se comportem na Celebração Eucarística de forma vã e mundana, quiçá apenas com uma compreensão artificial do Mistério que se faz presente no altar. Não se devem poupar esforços para que os crentes reconheçam o verdadeiro sentido da Liturgia, para o verdadeiro triunfo da causa de Deus. Tudo se inicia a partir de um maior zelo eucarístico e fidelidade ao Sacrifício incruento de Cristo na Cruz. Oxalá os cristãos compreendam a magnanimidade da celebração com todo o seu rico simbolismo, em especial a posição versus Deum, para que possam se entregar ao real sentido do sacrifício e permitir a transmissão da riqueza milenar da Igreja.
 
Bethânia Bittencourt, solteira, é fonoaudióloga e membro do Ministério Anticorpos, destacado grupo católico, de formação apologética, na Bahia

O purgatório,a igreja primitiva e os santos padres da Igreja


O Purgatório é uma das doutrinas que mais tem sido rejeitadas pelos protestantes. Frequentemente ouvimos fundamentalistas afirmarem, sem o mínimo rigor histórico, que trata-se de uma invenção de São Gregório Magno em plena Idade Média. Entre alguns exemplos que extraímos de diversos artigos da Internet encontra-se o do conhecido protestante anticatólico Dave Hunt:

"No Catolicismo, a 'purificação' ocorre em um lugar chamado 'purgatório', inventado pelo Papa Gregório o Grande no ano 593 d.C."[1].
Um comentário bastante semelhante é feito por Daniel Sapia, que cita o anterior em detalhes:
"A idéia do Purgatório - um lugar fictício de purificação final - foi inventada pelo Papa Gregório o Grande no ano 593. Havia tal rejeição para se aceitar a idéia - visto que era contrária à Escritura - que o Purgatório não se tornou um dogma oficial durante quase 850 anos, quando o Concílio de Florença, em 1439, o definiu"[2].
Seria verdade que o Purgatório é uma invenção de São Gregório Magno, na Idade Média, como afirma Hunt e repete Sapia? Seria verdade que houve tal rejeição para se aceitar a doutrina do Purgatório que não se tornou um dogma de fé até o Concílio de Florença?
Antes de respondermos a estas perguntas é necessário estudar a doutrina do Purgatório, caso contrário não a reconheceremos nos escritos da Igreja primitiva:
A DEFINIÇÃO DE PURGATÓRIO NO CATECISMO DA IGREJA E NOS CONCÍLIOS ECUMÊNICOS
O Catecismo da Igreja Católica explica o Purgatório da seguinte maneira:
"1030. Os que morrem na graça e na amizade de Deus, mas não estão completamente purificados, embora tenham garantida sua salvação eterna, passam, após sua morte, por uma purificação, a fim de obter a santidade necessária para entrar na alegria do Céu.
1031. A Igreja denomina Purgatório esta purificação final dos eleitos, que é completamente distinta do castigo dos condenados. A Igreja formulou a doutrina da fé relativa ao Purgatório sobretudo no Concílio de Florença e de Trento. Fazendo referência a certos textos da Escritura, a tradição da Igreja fala de um fogo purificador:
'No que concerne a certas faltas leves, deve-se crer que existe antes do juízo um fogo purificador, segundo o que afirma aquele que é a Verdade, dizendo, que, se alguém tiver pronunciado uma blasfêmia contra o Espírito Santo, não lhe será perdoada nem no presente século nem no século futuro (Mt 12,32). Desta afirmação podemos deduzir que certas faltas podem ser perdoadas no século presente, ao passo que outras, no século futuro' (São Gregório Magno, Dial. 4,39)".
É oportuno começar esclarecendo a inexatidão de Sapia - a quem algumas lições de história não fariam mal! - pois já antes do Concílio Ecumênico de Florença dois outros Concílios Ecumênicos haviam definido o Purgatório de forma clara: os Concílios Ecumênicos de Lião I e II, em 1245 e 1274 respectivamente:
"...Finalmente, afirmando a Verdade no Evangelho, que se alguém blasfemar contra o Espírito Santo não ser-lhe-á perdoada nem neste mundo nem no futuro [Mat. 12,32], o que dá a entender que algumas culpas são perdoadas no século presente e outras no futuro, bem como também disse o Apóstolo, que o fogo provará a obra de cada um; e aquele cuja obra arder sofrerá dano; ele, porém, se salvará, mas como quem passa pelo fogo [1Cor. 3,13.15]; e como os próprios gregos dizem que crêem e afirmam verdadeira e indubitavelmente que as almas daqueles que morrem, recebida a penitência, porém sem cumprí-la; ou sem pecado mortal, mas apenas veniais e pequenos; são purificadas após a morte e podem ser auxiliadas pelos sufrágios da Igreja; visto que [os gregos] dizem que o lugar desta purificação não lhes foi indicado com nome certo e próprio por seus doutores, como nós que, de acordo com as tradições e autoridades dos Santos Padres, o chamamos 'Purgatório', queremos que daqui por diante também eles o chamem por este nome. Porque com aquele fogo transitório certamente são purificados os pecados, não os criminais ou capitais que antes não tenham sido perdoados pela penitência, mas os pequenos ou veniais, que pesam mesmo depois da morte, ainda que tenham sido perdoados em vida..." (Concílio Ecumênico de Lião I, 13º Ecumênico).
"...Mas por causa dos diversos erros que alguns por ignorância e outros por malícia introduziram, devemos dizer e pregar que aqueles que depois do batismo caem no pecado não devem ser rebatizados, mas que obtêm pela verdadeira penitência o perdão dos pecados. E se verdadeiramente arrependidos morrerem em caridade antes de ter satisfeito com frutos dignos de penitência por seus atos e omissões, suas almas são purificadas após a morte com penas purgatórias ou catartérias, como nos explicou frei João; e para alívio dessas penas lhes aproveitam os sufrágios dos fiéis vivos a saber: os sacrifícios das missas, as orações e esmolas, e outros ofícios de piedade que, segundo as instituições da Igreja, alguns fiéis costumam a fazer em favor de outros. Mas aquelas almas que após terem recebido o santo batismo não incorreram em mancha alguma de pecado e também aquelas que após o contraírem se purificaram - quer enquanto permaneciam em seus corpos quer após deixá-los - como acima foi dito, são recebidas imediatamente no céu" (Concílio de Lião III, 14º Ecumênico).
Com efeito, o Concílio de Florença simplesmente reafirmava o que estes outros Concílios Ecumênicos já tinham definido alguns séculos antes:
"...Desta forma, se os verdadeiros penitentes deixarem este mundo antes de terem satisfeito com frutos dignos de penitência pela ação ou omissão, suas almas são purgadas com penas purificatórias após a morte; e para serem aliviadas destas penas, lhes aproveitam os sufrágios dos fiéis vivos, tais como o sacrifício da missa, orações e esmolas, e outros ofícios de piedade que os fiéis costumam praticar por outros fiéis, segundo as instituições da Igreja. E que as almas daqueles que após receberem o batismo não incorreram absolutamente em mancha alguma de pecado e também aquelas que, após contrair mancha de pecado, a purgaram, quer enquanto viviam em seus corpos quer após o deixarem, segundo o que foi dito acima, são imediatamente recebidas no céu..." (Concílio de Florença, 17º Ecumênico).
O mesmo reafirma o Concílio de Trento (de 1545 a 1563):
"Tendo a Igreja Católica, instruída pelo Espírito Santo, segundo a doutrina da Sagrada Escritura e da antiga tradição dos Padres, ensinado nos sagrados concílios e atualmente neste Geral de Trento, que existe Purgatório, e que as almas detidas nele recebem alivio com os sufrágios dos fiéis e em especial com o aceitável sacrifício da missa, ordena o Santo Concílio aos Bispos, que cuidem com máximo esmero que a santa doutrina do Purgatório, recebida dos santos Padres e sagrados concílios, seja ensinada e pregada em todas as partes, e que seja acreditada e conservada pelos fiéis cristãos. Excluam-se, todavia, dos sermões pregados em língua vulgar à plebe rude, as questões muito difíceis e sutis que a nada conduzem à edificação e com as quais raras vezes se aumenta a piedade. Também não se permita que sejam divulgadas e tratadas as coisas incertas, ou que tenham vislumbres ou indícios de falsidade. Ficam proibidas, por serem consideradas escandalosas e que servem de tropeço aos fiéis, as que tocam em certa curiosidade ou superstição, ou tem resíduos de interesse ou de sórdida ganância. Os bispos deverão cuidar para que os sufrágios dos fiéis, a saber, os sacrifícios das missas, as orações, as esmolas e outras obras de piedade que costumam fazer pelos defuntos, sejam executados piedosa e devotadamente segundo o estabelecido pela Igreja, e que seja satisfeita com esmero e exatidão, tudo quanto deve ser feito pelos defuntos, segundo exijam as fundações dos entendidos ou outras razões, não superficialmente, mas sim por sacerdotes e ministros da Igreja e outros que têm esta obrigação" (Concílio de Trento, 19º Ecumênico - Sessão 25: Decreto sobre o Purgatório).
Porém, muito antes destas definições conciliares, era amplamente conhecida a doutrina do Purgatório, como bem demonstram as seguintes evidências patrísticas:
PERPÉTUA
Santa Perpétua foi uma mártir cristã martirizada em 203 juntamente com outros cinco cristãos (Felicidade, Revocato, Saturnino, Segundo e Saturo).
Esquanto estava na prisão, teve uma dupla visão em que viu seu irmão, falecido 7 anos antes, sair de um lugar tenebroso onde estava sofrendo. Santa Perpétua passou então a rezar pelo descanso eterno de sua alma e, logo após ser ouvida pelo Senhor, teve uma segunda visão em que viu seu irmão seguro e em paz porque sua pena havia sido satisfeita:
"Imediatamente, nessa mesma noite, isto me foi mostrado em uma visão: eu vi Dinocrate saindo de um lugar sombrio, onde se encontravam também outras pessoas; e ele estava magro e com muita sede, com uma aparência suja e pálida, com o ferimento de seu rosto quando havia morrido. Dinocrate foi meu irmão de carne, tendo falecido há 7 anos de uma terrível enfermidade... Porém, eu confiei que a minha oração haveria de ajudá-lo em seu sofrimento e orei por ele todo dia, até irmos para o campo de prisioneiros... Fiz minha oração por meu irmão dia e noite, gemendo e lamentando para que [tal graça] me fosse concedida. Então, certo dia, estando ainda prisioneira, isto me foi mostrado: vi que o lugar sombrio que eu tinha observado antes estava agora iluminado e Dinocrate, com um corpo limpo e bem vestido, procurava algo para se refrescar; e onde havia a ferida, vi agora uma cicatriz; e essa piscina que havia visto antes, vi que seus níveis haviam descido até o umbigo do rapaz. E alguém incessantemente extraía água da tina e próximo da orla havia uma taça cheia de água; e Dinocrate se aproximou e começou a beber dela e a taça não reduziu [o seu nível]; e quando ele ficou saciado, saiu pulando da água, feliz, como fazem as crianças; e então acordei. Assim, entendi que ele havia sido levado do lugar do castigo" (Paixão de Perpétua e Felicidade 2,3-4).[3]
ABÉRCIO
Bispo de Hierápolis, na Frígia, na segunda metade do século II e início do III, foi desde cedo bastante venerado pela Igreja grega e, posteriormente, pela Igreja latina. Sabe-se que visitou Roma regressando logo depois pela Síria e Mesopotâmia. Antes de morrer, compôs seu próprio epitáfio, datado de finais do século II ou início do III, em que pede que se ore por ele:
"Cidadão de pátria ilustre, / Construí este túmulo durante a vida, / Para que meu corpo - num dia - pudesse repousar. / Chamo-me Abércio: / Sou discípulo de um Santo Pastor, / Que apascenta seu rebanho de ovelhas, / Por entre montes e planícies. / Ele tem enormes olhos que tudo enxergam, / Ensinou-me as Escrituras da Verdade e da Vida / [...] / Eu, Abércio, ditei este texto / E o fiz gravar na minha presença / Aos setenta e dois anos. / O irmão que o ler por acaso / Ore por Abércio." (Epitáfio de Abércio).[4]
ATOS DE PAULO E TECLA
Os Atos de Paulo e Tecla, escritos no século II (ano 160), narram a história de uma convertida que se converteu ao ouvir as pregações de São Paulo e, após desfazer o compromisso com seu noivo, se dedica a assistir Paulo na evangelização. Lemos aí uma oração de intercessão para que uma cristã falecida seja levada para o lugar dos justos:
"E após a exibição, Trifena novamente a recebeu. Sua filha Falconila havia morrido e disse para ela em sonhos: 'Mãe: deverias ter esta estrangeira, Tecla, como a mim, para que ela ore por mim e eu possa ser levada para o lugar dos justos" (Atos de Paulo e Tecla).[5]
CLEMENTE DE ALEXANDRIA
Nasceu por volta do ano 150, provavelmente em Atenas, de pais pagãos. Após tornar-se cristão, viajou pelo o sul da Itália, Síria e Palestina, em busca de mestres cristãos, até que chegou em Alexandria. Os ensinamentos de Panteno, líder da escola catequética de Alexandria (Egito), fizeram com que se estabelecesse ali. No ano 202, a perseguição de Sétimo Severo o obrigou a abandonar o Egito e a se refugiar na Capadócia, onde morreu pouco antes de 215.
Seu conhecimento dos escritos pagãos e da literatura cristã é notável! Segundo Quasten, em suas obras podemos encontrar cerca de 360 citações dos clássicos, 1500 do Antigo Testamento e 2000 do Novo; portanto, é considerado cronologicamente como o primeiro sábio cristão, conhecedor profundo não apenas da Sagrada Escritura mas ainda das obras cristãs anteriores a ele e, inclusive, obras da literatura profana.
Nos "Stromata" ou "Tapeçarias" (Στρωματεις), fala da purificação pelo "fogo" que a alma sofre posteriormente à morte, quando não atingiu a plena santidade:
"Através de grande disciplina o crente se despoja das suas paixões e passa a mansão melhor que a anterior; passa pelo maior dos tormentos, tomando sobre si o arrependimento das faltas que possa ter cometido após o seu batismo. Então, é torturado mais ao ver que não conseguiu o que os outros já conseguiram. Os maiores tormentos são atribuídos ao crente porque a justiça de Deus é boa e sua bondade é justa; e estes castigos completam o curso da expiação e purificação de cada um" (Stromata 4,14).[6]
"Porém, nós dizemos que o fogo santifica não a carne, mas as almas pecadoras; referindo-se não ao fogo comum, mas o da sabedoria, que penetra na alma que passa pelo fogo" (Stromata 8,6).[7]
TERTULIANO
Tertuliano nasceu em Cartago antes do ano 160. Por volta do ano 195, se converteu ao Cristianismo e chegou a se tornar em um notável escritor eclesiástico. Infelizmente, por volta do ano 207, aderiu abertamente à seita herética de Montano e acabou fundando sua própria seita (a dos Tertulianistas).
Encontram-se nos escritos de Tertuliano numerosas e claras referências ao Purgatório. Entre elas, podemos mencionar: "De Anima" (Da Alma), que fala da purificação da alma após a morte; em "De Carnis Resurrectione" (Da Ressurreição da Carne), chega ao extremo de afirmar que apenas os mártires viverão diretamente na presença de Deus; em "De Monogamia" (Da Monogamia), fala como as orações pelos falecidos podem ajudá-los; e em "De Corona" (Da Coroa), menciona o costume da Igreja celebrar a Eucaristia pelo descanso eterno dos falecidos:
"Por isso, é muito conveniente que a alma, sem esperar a carne, sofra um castigo pelo que tenha cometido sem a cumplicidade da carne. E, igualmente, é justo que, em recompensa pelos bons e piedosos pensamentos que tenha tido sem a cooperação da carne, receba consolos sem a carne. Mais ainda: as próprias obras realizadas com a carne, ela é a primeira a conceber, dispor, ordenar e pô-las em alerta. E ainda naqueles casos em que ela não consente em pô-las em alerta, no entanto, é a primeira a examinar o que logo fará no corpo. Enfim, a consciência não será nunca posterior ao fato. Consequentemente, também a partir deste ponto de vista, é conveniente que a substância que foi a primeira a merecer a recompensa seja também a primeira a recebê-la. Em suma: já que por esta lição que nos ensina o Evangelho entendemos o inferno, já que 'por esta dívida, devemos pagar até o último centavo', compreendemos que é necessário purificar-se das faltas mais ligeiras nesses mesmos lugares, no intervalo anterior à ressurreição; ninguém poderá duvidar que a alma recebe logo algum castigo no inferno sem prejuízo da plenitude da ressurreição, quando receberá a recompensa juntamente com a carne" (Da Alma 58: PL 2,751).[8]
"Ao deixar o seu corpo, ninguém vai imediatamente viver na presença do Senhor - exceto pela prerrogativa do martírio, pois então adquire uma morada no paraíso e não nas regiões inferiores" (Da Ressurreição da Carne 43).[9]
"Certamente, ela roga pela alma de seu marido; pede que durante este intervalo ele possa encontrar descanso e participar da primeira ressurreição [...] Oferece, a cada ano, o sacrifício no aniversário de sua dormição" (Da Monogamia 10).[10]
"O sacramento da Eucaristia, encomendado pelo Senhor no tempo da ceia e para todos, o recebemos nas assembléias, antes do amanhecer, e não das mãos de outros que não sejam os que as presidem. Fazemos oblações pelos falecidos, a cada ano, nos dias de aniversário" (Da Coroa 3: PL 2,79).[11]
Não se pode deixar de observar que Tertuliano escreveu isto muitos anos antes de São Gregório Magno "sonhar" em nascer...
CIPRIANO DE CARTAGO
São Cipriano nasceu em torno do ano 200, provavelmente em Cartago, de família rica e culta. Dedicou-se, em sua juventude, à retórica. O desgosto que sentia diante da imoralidade dos ambientes pagãos contrastados com a pureza de costumes dos cristãos o induziu a abraçar o Cristianismo por volta do ano 246. Pouco depois, em 248, foi eleito bispo de Cartago. Durante a perseguição de Décio, em 250, julgou melhor afastar-se para outro lugar, para continuar a se ocupar com seu rebanho de fiéis. Dele conservamos uma dezena de opúsculos sobre diversos temas de então e, particularmente, uma coleção de 81 cartas.
Em São Cipriano encontramos, da mesma forma que nos anteriores, referências ao Purgatório feitas séculos antes de São Gregório Magno:
"Uma coisa é pedir perdão; outra coisa, alcançar a glória. Uma coisa é estar prisioneiro sem poder sair até ter pago o último centavo; outra coisa, receber simultaneamente o valor e o salário da fé. Uma coisa é ser torturado com longo sofrimento pelos pecados, para ser limpo e completamente purificado pelo fogo; outra coisa é ter sido purificado de todos os pecados pelo sofrimento. Uma coisa é estar suspenso até que ocorra a sentença de Deus no Dia do Juízo; outra coisa é ser coroado pelo Senhor" (Epístola 51,20).[12]
São Cipriano também atesta o comum costume de se fazer orações e oferecer a Eucaristia pelo descanso eterno dos falecidos, o que seria inútil caso as orações não pudessem ajudá-los:
"Oferecemos por eles sacrifícios, como percebeis, sempre que na comemoração anual celebramos os dias da paixão dos mártires" (Epístola 33,3).[13]
No seguinte texto também podemos ver São Cipriano atestando de maneira implícita o costume de se oferecer a Eucaristia pelos falecidos. É negado para o caso particular de Victor em razão da violação das decisões conciliares, por ter ordenado ilegitimamente Gemínio Faustino como presbítero:
"...E quanto a Victor, visto que contrariamente à forma prescrita pelo recente Concílio dos sacerdotes se atreveu a constituir tutor ao presbítero Gemínio Faustino, não há razão para que se celebre, entre vós, a oblação pela sua morte ou se reze por ele qualquer oração na Igreja; desta forma, observaremos nós o decreto dos sacerdotes, elaborado religiosamente e por necessidade, dando-se, ao mesmo tempo, exemplo aos demais irmãos, para que ninguém deseje as moléstias mundanas aos sacerdotes e ministros de Deus dedicados ao seu altar e Igreja" (Epístola 65,2).[14]
Outro texto similar:
"Finalmente, anotai também os dias em que eles morrem, para que possamos celebrar suas comemorações entre as memórias dos mártires; por mais que Tertuliano, nosso fidelíssimo e devotíssimo irmão, com aquela solicitude e cuidado que reparte com os irmãos sem se orgulhar da sua atividade, e como no cuidado dos cadáveres remanescentes ali, tenha escrito e me faça saber, entre outras coisas, os dias em que nossos ditosos irmãos partiram do cárcere para a imortalidade através de uma morte gloriosa, celebramos aqui nossas oblações e sacrifícios em comemoração deles, as quais prontamente celebraremos convosco, com a ajuda de Deus" (Epístola 36,2).[15].
ORÍGENES
Ilustre teólogo e escritor eclesiástico. Nascido em Alexandria por volta do ano 231, foi reconhecido como o maior mestre da doutrina cristã em sua época, exercendo uma extraordinária influência como intérprete da Bíblia.
Orígenes enxerga em 1Coríntios 3 uma alusão ao Purgatório:
"Pois se sobre o fundamento de Cristo contruístes não apenas ouro e prata mas pedras preciosas e ainda madeira, cana e palha, o que esperas que ocorra quando a alma seja separada do corpo? Entrarias no céu com tua madeira, cana e palha e, deste modo, mancharias o reino de Deus? Ou em razão destes obstáculos poderias ficar sem receber o prêmio por teu ouro, prata e pedras preciosas? Nenhum destes casos seria justo. Com efeito, serás submetido ao fogo que queimará os materiais levianos. Para nosso Deus, àqueles que podem compreender as coisas do céu, encontra-se o chamado 'fogo purificador'. Porém, este fogo não consome a criatura, mas aquilo que ela construiu: madeira, cana ou palha. É manifesto que o fogo destrói a madeira de nossas transgressões e logo nos devolve o prêmio de nossas grandes obras" (P.G. 13, col. 445,448).[16]
LACTÂNCIO
Loarte comenta que foi chamado "o Cícero cristão" por seu elegante manejo da língua latina. Nasceu no norte da África por volta do ano 250, de pais pagãos. Provavelmente converteu-se ao Cristianismo na Nicomédia. Durante a última grande perseguição, por volta do ano 303, viu-se obrigado a abandonar sua cátedra e exilar-se na Bitínia. Após o Edito de Milão, Constantino o chamou a Tréveris, para confiar-lhe a educação de Crispo, seu filho mais velho. Pouco mais conhecemos da vida de Lactâncio, que deve ter falecido por volta do ano 317.
Em suas "Instituições Divinas", livro 7, enxerga 1Coríntios 3 da mesma forma que Orígenes: como uma referência ao Purgatório...
"Porém, quando julgar os justos, Ele também os provará com fogo. Então aqueles cujos pecados excederem em peso ou número, serão chamuscados pelo fogo e queimados; mas aqueles a quem imbuiu a justiça e plena maturidade da virtude não perceberão esse fogo porque eles têm algo de Deus neles mesmos, que repele e rejeita a violência da chama" (Instituições Divinas 7,21).[17]
EFRÉM DA SÍRIA
Nasceu por volta do ano 306, no povoado de Nísibis (hoje chamada Nusaybim, na Turquia). Diácono, Doutor da Igreja e escritor eclesiástico. Estima-se que faleceu por volta do ano 373, embora alguns autores afirmem que viveu até 378 ou 379.
Em seu testamento, solicita que orem por ele e cita o livro dos Macabeus como evidência de que as orações dos vivos podem ajudar a expiar os pecados dos falecidos:
"Quando se cumprir o trigésimo dia [da minha morte], lembrai-vos de mim, irmãos. Os falecidos, com efeito, recebem ajuda graças a oferenda que fazem os vivos (...) Se como está escrito, os homens de Matatias encarregados do culto em favor do exército expiaram, pelas oferendas, as culpas daqueles que tinham perecido e eram ímpios por seus costumes, quanto mais os sacerdotes de Cristo, com suas santas oferendas e orações, expiarão os pecados dos falecidos" (Testamento, 72,28:EP 741).[18]
BASÍLIO MAGNO
Nasceu por volta do ano 330, do seio de uma família profundamente cristã. No ano 364 foi ordenado sacerdote e, 6 anos depois, sucedeu a Eusébio, bispo de Cesaréia, metropolita da Capadócia e exarca da diocese do Ponto. Faleceu no ano 379.
Fala como aqueles atletas de Deus, logo após terem sido salvos, podem ser "detidos" se por acaso conservarem algumas manchas de pecado:
> "Penso que os valorosos atletas de Deus, os quais durante toda a sua vida estiveram frequentemente em luta contra os seus inimigos invisíveis, após terem superado todos os seus ataques, ao chegarem ao fim de suas vidas serão examinados pelo príncipe do século, a fim de que, se em consequência das lutas tiverem algumas feridas ou certas manchas ou vestígios de pecado, sejam detidos; porém, se são encontrados imunes e incontaminados, como invictos e livres encontram o descanso junto a Cristo" (Homilias sobre os Salmos 7,2: PG 29,232).[19]
CIRILO DE JERUSALÉM
Nasceu em Jerusalém ou em sua circunvizinhança, em torno do ano 313 ou 315. Foi Padre da Igreja e arcebispo de Jerusalém. Estima-se que morreu em 386.
Em sua catequese reafirma a imemorial Tradição da Igreja de orar pelos falecidos por seu eterno descanso:
"Recordamos também de todos os que já dormiram; em primeiro lugar, os patriarcas, os profetas, os apóstolos, os mártires, para que, por suas preces e intercessão, Deus acolha a nossa oração. Depois, também pelos santos padres, bispos falecidos e, em geral, por todos cuja vida transcorreu entre nós, crendo que isso será da maior ajuda para aqueles por quem se reza. Quero vos esclarecer isso com um exemplo: visto que muitos ouviram dizer: para que serve a uma alma sair deste mundo com ou sem pecados se depois faz-se menção dela na oração? Suponhamos, por exemplo, que um rei envia ao desterro alguém que o ofendeu; porém, depois, os seus parentes, afligidos pela pena, lhe oferecem uma coroa. Por acaso não ficarão agradecidos pelo relaxamento dos castigos? Do mesmo modo, também nós apresentamos súplicas a Deus pelos falecidos, ainda que sejam pecadores. E não oferecemos uma coroa, mas sim Cristo morto por nossos pecados, pretendendo que o Deus misericordioso se compadeça e seja propício tanto com eles quanto conosco" (Catequese 13,9-10).[20]
EPIFÂNIO DE SALAMINA
Nasceu por volta do ano 315 na Judéia. Fundou um mosteiro que dirigiu por quase 30 anos. Foi bispo de Salamina e metropolita do Chipre. Morreu no ano 367.
Testemunha, da mesma maneira que os anteriores, a utilidade das orações pelos falecidos para obter de Deus o perdão das suas culpas:
"Quanto a recitação dos nomes dos falecidos, o que pode haver de mais útil e que seja mais oportuno e digno de louvor, a fim de que os presentes percebam que os falecidos continuam vivendo e não foram reduzidos ao nada, mas continuam existindo e vivem junto do Senhor, restando assim afiançada a esperança daqueles que rezam por seus irmãos falecidos, considerando-os como se tivessem emigrado para outro país? São úteis, com efeito, as preces que são feitas em seu favor, mesmo que não possam eliminar todas as suas culpas" (Panarion 75,8: PG 42,513).[21]
GREGÓRIO DE NISSA
Nasceu entre os anos 331 e 335. Era irmão de São Basílio Magno, que o consagrou bispo de Nissa em 371. Faleceu no ano 394.
O seguinte texto é uma referência tão clara ao Purgatório que não necessita de nenhum comentário:
"Quando ele renuncia a seu corpo e a diferença entre a virtude e o vício é conhecida, não pode pode se aproximar de Deus até que seja purificado com o fogo que limpa as manchas com as quais a sua alma está infectada. Esse mesmo fogo em outros cancelará a corrupção da matéria e a propensão ao mal" (Sermão sobre a Morte 2,58).[22]
JOÃO CRISÓSTOMO
São João Crisóstomo é o representante mais importante da Escola de Antioquia e um dos quatro grandes Padres da Igreja no Oriente. Nascido por volta do ano 350, talvez antes, foi ordenado sacerdote no ano 386 e em 397 foi consagrado bispo de Constantinopla. Morreu em 407.
Atesta que foram os próprios Apóstolos que instituíram a celebração da eucaristia pelo descanso eterno dos falecidos e exorta a não cessarmos de ajudar os defuntos com nossas orações, já que, graças a elas, recebem consolo:
"Não sem razão foi determinado, mediante leis estabelecidas pelos Apóstolos, que na celebração dos sagrados e impressionantes mistérios se faça a memória dos que já passaram desta vida. Sabiam, com efeito, que com isso os falecidos obtêm muito fruto e tiram grande proveito. Quando todo o povo e os sacerdotes estão com as mãos estendidas e se está celebrando o santo sacrifício, por acaso Deus não se mostrará propício com aqueles em favor dos quais lhe imploramos? Tratam-se daqueles que morreram conservando a fé" (Homilias sobre a Carta aos Filipenses 3,4: PG 62,203).[23]
"Se os filhos de Jó foram purificados pelo sacrifício de seu pai, 'porque deveríamos duvidar que quando nós também oferecemos [o sacrifício] pelos que já partiram, recebem eles algum consolo'? Já que Deus costuma atender aos pedidos 'daqueles que pedem pelos demais', não cansemos de ajudar os falecidos, oferecendo em seu nome e orando por eles" (Homilias sobre 1Corintios 41,8).[24]
SANTO AGOSTINHO
Doutor da Igreja nascido em Tagaste (África) no ano 354, filho de Santa Mônica. Após uma vida ímpia, converteu-se no ano 387 e, posteriormente, foi eleito bispo de Hipona, ministério que exerceu durante 34 anos. É considerado um dos Padres mais influentes do Ocidente e seus escritos são de grande atualidade. Morreu no ano 430.
As descrições do Purgatório por parte de Santo Agostinho também são bastante anteriores a São Gregório Magno e são tão claras que tampouco necessitam de explicações:
"Senhor, não me interpeles na tua indignação. Não me encontres entre aqueles a quem haverás de dizer: 'ide para o fogo eterno que está preparado para o diabo e seus anjos'. Nem me corrijas em teu furor, mas purifica-me nesta vida e torna-me tal que já não necessite do fogo corretor, atendendo aos que hão de salvar-se, ainda que, não obstante, como que através do fogo. Por que acontece isto se não é porque edificam aqui sobre o cimento, lenha, palha e feno? Se tivesse edificado sobre o ouro, a prata e as pedras preciosas, estariam livres de ambas as classes de fogo, não apenas daquele eterno, que atormentará os ímpios para sempre, mas também daquele que corrigirá aos que hão de salvar-se através do fogo" (Comentário ao Salmo 37,3: BAC 235,654).[25]
"Quando alguém padece algum mal, pela perversidade ou erro de um terceiro, peca, certamente, o homem que por ignorância ou injustiça causa um mal a alguém; porém não peca Deus, que por um justo mas oculto desígnio, permite que isto ocorra. Contudo, há penas temporais que alguns padecem apenas nesta vida, outros após a morte, e outros agora e depois. De toda forma, estas penas são sofridas antes daquele severíssimo e definitivo juízo. Mas nem todos os que hão de sofrer penas temporais através da morte cairão nas eternas, que terão lugar após o juízo. Haverá alguns, de fato, a quem se perdoarão no século futuro o que não se lhes foi perdoado no presente; ou seja, que não serão castigados com o suplício eterno do século futuro, como falamos mais acima" (A Cidade de Deus 21,13: BAC 172,791-792).[26]
"A maior parte [das pessoas], uma vez conhecida a obrigação da lei, se veem vencidas primeiramente pelos vícios que chegam a dominá-las; tornam-se, assim, transgressoras da lei. Logo buscam refúgio e auxílio na graça, com a qual recuperarão a vitória, mediante uma amarga penitência e uma luta mais vigorosa, submetendo primeiro o espírito a Deus e obtendo depois o domínio sobre a carne. Quem quiser, pois, evitar as penas eternas não deve apenas se batizar; deve ainda se santificar seguindo a Cristo. Assim é como quem passa do diabo para Cristo. Quanto às penas expiatórias, não pense ninguém em sua existência se não será antes do último e terrível juízo" (A Cidade de Deus 21, 16: BAC 172,798.[27]
"Não se pode negar que as almas dos falecidos são aliviadas pela piedade dos parentes vivos, quando oferecem por elas o sacrifício do Mediador ou quando praticam esmolas na Igreja. Porém, estas coisas aproveitam aquelas [almas] que, quando viviam, mereceram que se lhes pudessem aproveitar depois. Pois há um certo modo de viver, nem tão bom que aproveite destas coisas depois da morte, nem tão mal que não lhes aproveitem; há tal grau no bem que o que possui não aproveita de menos; ao contrário, há tal [grau] no mal que não pode ser ajudado por elas quando passar desta vida. Portanto, aqui o homem adquire todo o mérito com que pode ser aliviado ou oprimido após a morte. Ninguém espere merecer diante de Deus, quando tiver falecido, o que durante a vida desprezou" (Das Oito Questões de Dulcício 2, 4: BAC 551,389).[28]
"Lemos nos livros dos Macabeus que foi oferecido um sacrifício pelos falecidos. E apesar de não podermos ler isto em nenhum outro lugar do Antigo Testamento, não é pequena a autoridade da Igreja universal que reflete este costume, quando nas orações que o sacerdote oferece ao Senhor, nosso Deus, sobre o altar encontra seu momento especial na comemoração dos falecidos" (Do Cuidado devido aos Mortos 1,3: BAC 551,439).[29]
"Na pátria (=céu) não haverá lugar para a oração, mas apenas para o louvor. Por que não para a oração? Porque nada faltará. O que aqui é objeto de fé, ali será objeto de visão. O que aqui se espera, ali se possuirá. O que aqui se pede, ali se recebe. Contudo, nesta vida existe uma certa perfeição alcançada pelos santos mártires. A isto se deve o uso eclesiástico, conhecido pelos fiéis, de se mencionar os nomes dos mártires diante do altar de Deus; não para orar por eles, mas pelos demais falecidos de que se faz menção. Seria uma injúria rogar por um mártir, a cujas orações devemos nos encomendar. Ele lutou contra o pecado até derramar seu sangue. Aos outros, imperfeitos todavia, mas sem dúvida parcialmente justificados, diz o Apóstolo na Epístola aos Hebreus: 'Todavia não resististes até tombar em vossa luta contra o pecado'" (Sermão 159,1: BAC 443,498).[30]
GREGÓRIO MAGNO
Papa e doutor da Igreja, é o quarto e último dos originais Doutores da Igreja latina. Defendeu a supremacia do Papa e trabalhou pela reforma do clero e da vida monástica. Nasceu em Roma por volta do ano 540 e faleceu em 604.
Enxergava em Mateus 12,32 uma referência implícita ao Purgatório:
"Tal como alguém sai deste mundo, assim se apresenta no Juízo. Porém, deve-se crer que exista um fogo purificador para expiar as culpas leves antes do Juízo. A razão para isso é que a Verdade afirma que se alguém disser uma blasfêmia contra o Espírito Santo, isto não lhe será perdoado nem neste século nem no vindouro. Com esta sentença se dá a entender que algumas culpas podem ser perdoadas neste mundo e algumas no outro, pois o que se nega em relação a alguns deve-se compreender que se afirma em relação a outros (...) No entanto, tal como já disse, deve-se crer que isto se refere a pecados leves e de menor importância" (Diálogos 4,39: PL 77,396).[31]
CONCLUSÃO
Isto é apenas uma seleção parcial de textos patrísticos referentes ao Purgatório. Na verdade, torna-se difícil entender, à luz das sentenças anteriores, como ainda existem pessoas que afirmam que o Purgatório foi invenção da Idade Média. Peço a Deus que isto se dê por ignorância e não por malícia. Felizmente, estes textos estão ao alcance de todos e oferecem uma evidência indiscutível quanto a fé da Igreja primeira... a nossa Igreja [católica]

Respostas verdadeiras e sensatas,para falsas acusações

 
 São feitas tantas falsas acusações contra a Igreja Católica por pessoas que se recusam a ir até à fonte do ensinamento Católico, para descobrir o que a Igreja realmente ensina. Ao invés disso, elas preferem propagar a mentira que lhes foi ensinada por outros que compartilham da mesma idéia. Se você quisesse comprar um Ford, você iria a um vendedor da Chevy para saber a "verdade" sobre os Fords? Não, você iria à fonte, aqueles que construiram o Ford. Da mesma forma você não vai aprender a verdade sobre o que a Igreja Católica ensina numa fonte não-Católica. Então se você não se importou em ir à fonte do ensinamento Católico, por quê continua a perpetuar a mentira? Ao fazer isso, você está jogando com sua salvação eterna.

Aqui estão algumas falsas acusações feitas contra a Igreja Católica, e respostas verdadeiras à essas acusações:
*A Igreja Católica não é a Igreja que Jesus Cristo fundou.

Ok, então por favor me dê o nome da Igreja que Ele verdadeiramente fundou, já que precisa ainda estar aqui, pois Ele realmente prometeu que Sua Igreja iria durar para sempre, não prometeu? Mateus 28,20. Jesus mentiu?

Mais ainda, já que cada Igreja na terra foi fundada por uma pessoa com um nome, por favor diga o nome da pessoa que realmente fundou a Igreja Católica se não foi Jesus Cristo. Ah, e por favor não se esqueça de incluir o(s) documento(s) histórico(s) para provar o que diz.

*Não há "prova" de que Jesus Cristo fundou a Igreja Católica.

Ao contrário, aqui estão 140 razões do porquê de ser a Igreja Católica a Igreja que Ele fundou e nenhuma outra. Agora você me dá apenas uma razão para "provar" que foi a sua igreja a que Ele fundou e não a Igreja Católica?

*A Igreja Católica apostatou logo depois que o último Apóstolo morreu, portanto a Igreja Católica de hoje não é a mesma Igreja que Jesus Cristo fundou.

Por favor me forneça a data deste monumental evento histórico. Mostre-me seus documentos históricos genuínos que "provam" a sua acusação. De milhares de documentos históricos genuínos de cada século indo até o primeiro, e que estão disponíveis para qualquer um pesquisar, por quê não há nenhuma menção desta tal "grande apostasia" em nenhum lugar?Você não acha que uma queda da Igreja que Jesus Cristo fundou teria "sacodido o universo", por assim dizer, e seria a causa de um grande castigo de DEUS depois do que Seu Filho passou em Sua paixão? Veja o que aconteceu com os Judeus por sua disobediência.

Jesus realmente prometeu que o Espírito Santo estaria com Sua Igreja e a ensinaria para sempre em João 14,16-17.

Você está chamando Jesus Cristo de mentiroso por Suas promessas de perpetuidade para Sua Igreja?

Leia 1João 5,10.

*Bom, não foi em nenhuma dada específica, mas foi um processo gradual ao longo do tempo.

Ok, mas isso ainda significa que realmente aconteceu em algum momento, então forneça-me a data, e seus documentos históricos genuínos. Forneça-me uma lista das apostasias "graduais" às quais você se refere e as datas nas quais elas supostamente aconteceram.

Qual é o ensinamento da Igreja Católica a respeito da Santíssima Trindade? Isto é apostasia?

A Igreja ensina que Jesus Cristo é DEUS? A Igreja...... bem, eu poderia lhe perguntar o que a Igreja ensina a respeito de centenas de assuntos.

Ao invés de eu listar todos os temas sobre os quais a Igreja nos ensina, seria muito mais fácil você me dizer os temas das suas acusações de apostasia por parte da Igreja Católica, e as datas de cada um?

*A Eucaristia é "obviamente" só um símbolo.

Mostre-me por favor os versículos escriturais "óbvios" que dizem que é somente um símbolo depois de ter lido e estudado os dois links nesta sessão.

*A Bíblia sozinha é a nossa única autoridade. Não precisamos da Igreja Católica.

Hum? O que Jesus Cristo fundou, uma Igreja docente ou um livro? Já que os Evangelhos são o coração do Novo Testamento, por favor mostre-me o(s) versículo(s) onde Ele ordena a alguém que os escreva.

Por favor mostre-me onde a Bíblia diz que somente ela é a única autoridade.

*A Igreja Católica está sempre aparecendo com "nova doutrina". Eu me recuso a acreditar em qualquer coisa que não posso encontrar na Bíblia.

Hum? Por favor me forneça uma lista desta "nova" doutrina da qual você fala. Além disso, por favor me forneça o versículo que você usa para "provar" que tudo o que é digno de crédito está na Bíblia.

*Católicos "cultuam" Maria.

Eu tenho sido Católico a minha vida inteira e nunca ouvi a Igreja dizer a seu povo que nós devemos cultuar Maria. Para que esta acusação seja verdadeira, por favor então forneça documento genuíno da Igreja Católica que afirma que Católicos devem cultuar Maria. Você alguma vez já pelo menos pensou em ir à fonte para encontrar a resposta para esta pergunta?

*Maria não podia ter sido concebida imaculadamente.

Hum? Você está dizendo que DEUS não podia ter feito isto?

Jesus não falou isto?

"Jesus olhou para eles e disse: "Aos homens isto é impossível, mas a Deus tudo é possível.""

Mateus 19,26

Adão, Eva e Jesus Cristo não vieram a este mundo sem pecado? Então por favor me explique por quê a Mãe de DEUS não poderia?

*Maria deu à luz somente à natureza humana de Jesus.

Mães não dão à luz somente a naturezas, mas a pessoas que possuem uma natureza. Maria deu a luz à pessoa completa. Agora, Jesus Cristo é uma pessoa divina ou é uma pessoa humana?

Ele não podia ser ambas as coisas, pois isso faria com que Ele fosse duas pessoas.

*Maria não podia ser a Mãe de DEUS.

Bom, porque você fez esta afirmação, você agora tem apenas duas opções. Ou Jesus Cristo não era DEUS, ou Ele tinha outra mãe que não Maria. Qual opção você escolhe?

*Maria teve "outros filhos".

Mostre-me onde diz isso na Sagrada Escritura, depois de ter lido o link. Imagine que você fosse o irmão ou a irmã de DEUS. Não haveria uma montanha de material escrito sobre você e sua vida? Não é possível então que o significado das palvaras não sejam então os mesmos que têm hoje em dia, especialmente depois de terem sido traduzidas de língua para língua? Veja, algo é sempre acrescentado ou perdido numa tradução. Para provar isso, dei-lhe um exemplo na terceira frase, "você e sua vida". Você está vendo? A palavra "you" em Inglês pode ser singular ou plural (você, vocês), mas em Grego, são usadas palavras diferentes para "you": sou (singular) e humeis (plural). Eu realmente explico a importância deste problema específico de tradução e mais detalhes aqui.
Portanto, não caia na armadilha dos "irmãos" usando somente o significado Inglês de hoje em dia.

Leia o link para muito mais.

*Maria não podia ter sido assunta ao Céu.

Hum? Por quê não? Você estava lá? Há ainda mais alguma coisa que DEUS não poderia fazer?
*Não importa a qual igreja uma pessoa pertence.

Ao contrário, importa um bocado. Você deseja jogar com sua salvação eterna?

Só há uma Igreja verdadeira, aquela que Jesus Cristo fundou.

Eu sugeriria que você lesse o Salmo 127,1.
Agora, já que todos leram o Salmo 127,1, desejo perguntar a todos os não-Católicos quem fez estas falsas acusações contra a única Igreja que Jesus Cristo fundou, para, por favor me mostrar o versículo(s) na Sagrada Escritura que dá autoridade a qualquer pessoa para fundar outra igreja que não aquela única de Mateus 16,18. Note que Jesus realmente disse "Igreja" e não igrejas nesse versículo.

Para aqueles que fazem falsas acusações contra a Igreja Católica sem se importarem de irem à fonte para ver se as acusações são falsas ou verdadeiras, leiam por favor esta citação de Santo Irineu que foi escrita em 180 A.D.

"CAPÍTULO. IV.--A VERDADE (sobre o que a Igreja Católica ensina*) NÃO PODE SER ENCONTRADA EM NENHUM LUGAR A NÃO SER NA IGREJA CATÓLICA, A ÚNICA DEPOSITÁRIA DA DOUTRINA APOSTÓLICA. AS HERESIAS FORAM CRIADAS RECENTEMENTE, E NÃO PODEM TRAÇAR SUA ORIGEM ATÉ OS APÓSTOLOS.
1. Se dessa forma temos tais provas, não é necessário procurar a verdade em outras fontes se é fácil obtê-la da Igreja; desde os apóstolos, como um homem rico [depositando seu dinheiro] num banco, quem quiser pode retirar dela a água da vida. Pois ela é a entrada para a vida; todas as outras são bandidas e ladras. Por conta disso devemos evitá-las, mas escolher as coisas que pertencem à Igreja com a maior dirigência, e se manter firme na tradição da verdade. Pois como fica o caso? Suponha que se erga uma disputa em relação a alguma questão importante entre nós, não deveríamos recorrer às Igrejas mais antigas com as quais os apóstolos mantinham relação constante e aprender delas o que é certo e claro a respeito da questão presente? Pois como haveria de ser se os apóstolos não tivessem nos deixado escritos? Não seria necessário [nesse caso] seguir o curso da tradição que eles transmitiram àqueles a quem eles encarregaram de cuidar das Igrejas?"

Santo Irineu: Contra Heresias: Livro 3, Capítulo 4, Par 1, 180 D.C.. Jurgens 213
*Acrescentado por mim, não constando do texto original de Santo Irineu.

PARE!!! Bem aqui e respire fundo antes de continuar, pois sua salvação eterna pode estar em risco!

Para a prova disso, agora continue lendo.
"Isto é bom e agradável diante de Deus, nosso Salvador, o qual deseja que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade."

1Timóteo 2,3-4

É da vontade de DEUS que nós todos encontremos a verdade. Ninguém pode conhecer a verdade com uma mente fechada, ou preconceituosa, ou com idéias pré-concebidas. A única maneira de alguém encontrar a verdade é ir à fonte com a mente aberta, e descobrir por si mesmo.

"...mas ira e indignação aos facciosos, rebeldes à verdade e seguidores do mal."

Romanos 2,8

"Ora, as obras da carne são estas: fornicação, impureza, libertinagem, idolatria, superstição, inimizades, brigas, ciúmes, ódio, ambição, discórdias, facções, invejas, bebedeiras, orgias e outras coisas semelhantes. Dessas coisas vos previno, como já vos preveni: os que as praticarem não herdarão o Reino de Deus!"

Gálatas 5,19-21

"Facções"? O dicionário diz: "Faccioso: (1) relativo à dissenção interna. (2) que promove dissenção interna." Não soa como o pensamento dos reformadores? A Reforma certamente levou às "milhares de facções"* que temos hoje em dia no Protestantismo.

A palavra "facções" nos leva ainda a um outro versículo:

"Rogo-vos, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que todos estejais em pleno acordo e que não haja entre vós divisões. Vivei em boa harmonia, no mesmo espírito e no mesmo sentimento."

1Coríntios 1,10

Pois todos aqueles que se recusam a aceitar a verdade, terão que enfrentar a ira de DEUS.

*Havia 33.820 facções do Protestantismo em abril de 2001: Enciclopédia Cristã Mundial, uma publicação Protestante. Esta publicação pode ser adquirida em www.amazon.com.

"A manifestação do ímpio será acompanhada, graças ao poder de Satanás, de toda sorte de portentos, sinais e prodígios enganadores. Ele usará de todas as seduções do mal com aqueles que se perdem, por não terem cultivado o amor à verdade que os teria podido salvar. Por isso, Deus lhes enviará um poder que os enganará e os induzirá a acreditar no erro. Desse modo, serão julgados e condenados todos os que não deram crédito à verdade, mas consentiram no mal."

2Tessalonicenses 2,9-12

Pois aqueles que não acreditam na verdade, serão TODOS condenados.
O que isto tudo significa? Vamos resumir:

1. Todos temos a obrigação de procurar a verdade. 1Timóteo 2,3-4

2. Aqueles que se recusam a procurar a verdade encontrarão a ira de DEUS. Romanos 2,8

3. Aqueles que se recusam a aceitar a verdade, serão condenados. 2Tessalonicenses 2,9-12

4. Aquele que se recusa a reconhecer a verdade na vida será forçado a confrontá-la na morte. Hebreus 9,27, Apocalipse 21,27

5. Mas a quem isso tudo se aplica? Certamente se aplica àqueles que perpetuam falsas acusações contra a única Igreja que Jesus Cristo fundou, e que continuam a fazê-lo recusando-se a ir até a fonte da verdade que a Igreja Católica ensina.

6. Estas não são minhas regras ou idéias. Elas são o ensinamento de DEUS através da Sagrada Escritura.

"Tornei-me, acaso, vosso inimigo, porque vos disse a verdade?"

Gálatas 4,16
 
"A verdade sempre incomodou as pessoas e nunca foi confortável."
 
Cardeal Ratzinger, 9 de outubro de 2000
Entretanto, aquele que se recusou a reconhecer a verdade na vida, será forçado a confrontá-la na morte.

Escrito por Bon Stanley